Aliados no Amazonas comem abiu com elo de Flávio Bolsonaro no Master
Única a se manifestar abertamente, a deputada estadual Débora Menezes saiu em defesa de Flávio Bolsonaro após críticas de Zema
Ana de Oliveira, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 14/05/2026 às 11:02 | Atualizado em: 14/05/2026 às 12:19
Aliados bolsonaristas no Amazonas adotaram o silêncio como estratégia após as revelações bombásticas desta quarta-feira (13 de maio) sobre o senador Flávio Bolsonaro ter cobrado o recebimento de R$ 134 milhões do dono do banco Master, Daniel Vorcaro.
O montante seria destinado ao financiamento do filme “Dark horse”, uma cinebiografia do pai de Flávio, Jair Bolsonaro, mas o caso passou a ser tratado nos bastidores políticos como fator de inviabilização da candidatura a presidente do senador nesta eleição.
No Amazonas, a reação desse campo da extrema direita foi marcada pela omissão ou por manifestações protocolares que evitaram entrar no mérito dos áudios e mensagens revelados pelo Intercept Brasil e repercutido até pela mídia internacional.
O silêncio bolsonarista
A movimentação nas redes sociais das principais figuras da direita amazonense revelou um cenário de isolamento político do senador.
A pré-candidata ao Governo do Amazonas Maria do Carmo Seffair e os vereadores Alexandre Salazar e Francisco Carpegiane, conhecido como Carpê, todos do PL de Bolsonaro, além do senador Plínio Valério (PSDB), que mantém alinhamento frequente com pautas bolsonaristas e alianças com nomes da extrema direita, optaram pelo silêncio absoluto sobre o episódio.
Já o presidente estadual do PL no Amazonas, Alfredo Nascimento, e o deputado federal Alberto Neto apenas republicaram o vídeo de defesa de Flávio Bolsonaro, sem comentários próprios ou manifestações mais enfáticas.
No vídeo, Flávio confirmou ter pedido os recursos, mas alegou tratar-se de patrocínio privado legítimo para homenagear o pai. O senador negou irregularidades e disse não haver uso de dinheiro público.
O vereador Ubirajara Rosses (PL) seguiu a mesma linha de compartilhamento do vídeo, mas tentou mudar o foco da discussão ao classificar a denúncia como uma “perseguição política”.
Fogo amigo contra Zema
A deputada estadual Débora Menezes (PL) foi a única aliada a se manifestar de forma mais incisiva, mas concentrou ataques ao ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), que criticou publicamente Flávio Bolsonaro.
Veja vídeo do Zema
Para a parlamentar, a postura de Zema representa uma “indignação seletiva” com objetivo de dividir o campo conservador.
“Zema, deixa de teatro barato. Você ficou gravando vídeo aí dizendo que é imperdoável Flávio Bolsonaro captar recurso para um filme. Tapa na cara dos brasileiros, meu amigo, é a sua hipocrisia”.
Ela ainda defendeu a instalação de uma CPI do banco Master para investigar todas as relações bancárias, incluindo as do partido de Zema.
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Tiro pela culatra
O contexto de crise dentro da ala bolsonarista surge justamente no momento em que o grupo tenta preservar o discurso de combate à corrupção que impulsionou a ascensão política da família Bolsonaro e de quadros do PL nos últimos anos.
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Foto: divulgação
