Escândalo de Flávio Bolsonaro e Vorcaro abala pré-candidatura da direita
Revelação de pedido de R$ 134 milhões ao dono do banco Master gera pedidos de investigação e prisão
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 13/05/2026 às 21:22 | Atualizado em: 14/05/2026 às 00:22
A divulgação de mensagens e áudios que comprovam a articulação financeira entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master, alterou o eixo das investigações sobre o setor bancário.
O material detalha que o parlamentar solicitou um patrocínio de R$ 134 milhões para a produção de um filme biográfico sobre seu pai, Jair Bolsonaro.
A investigação aponta que, embora o acordo total mirasse os R$ 134 milhões, o ex-banqueiro já havia desembolsado cerca de R$ 61 milhões antes da liquidação do Master pelo Banco Central e de sua prisão em novembro de 2025.
O áudio recente vazado é justamente uma pressão de Flávio Bolsonaro para “destravar” o restante dos pagamentos e honrar compromissos com a equipe do filme.
O fato cria um embaraço jurídico e político, uma vez que o senador vinha atuando publicamente para associar o caso Master a supostas relações espúrias do governo Lula com Vorcaro.
Agora, o “tiro saiu pela culatra”: a oposição e parte da base aliada avaliam que o envolvimento direto do senador inviabiliza sua pretensão presidencial para 2026.
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Zema vê ato “imperdoável”
A reação mais contundente no campo da direita partiu do ex-governador de Minas Gerais e também presidenciável Romeu Zema (Novo).
Em tom de ruptura, Zema utilizou suas redes sociais para criticar duramente o senador.
Zema afirmou que ouvir o senador cobrando dinheiro de Vorcaro é “imperdoável” e representa um “tapa na cara dos brasileiros de bem”.
Desgaste de credibilidade
O político mineiro destacou que não se pode criticar as práticas do PT e “fazer a mesma coisa”, enfatizando que é preciso ter credibilidade para mudar o país.
Zema comparou o escândalo do banco Master a uma “metástase”, sugerindo que as investigações ainda revelarão um número muito maior de envolvidos.
Gleisi aponta omissão bolsonarista
No campo da esquerda, a ex-presidente do PT e ex-ministra do governo Gleisi Hoffmann liderou as críticas, focando na tentativa de Flávio Bolsonaro de “terceirizar” a culpa do escândalo.
Omissão no BC
Gleisi rebateu as acusações contra o governo atual, afirmando que foi a gestão de Roberto Campos Neto, indicado por Bolsonaro, que “fechou os olhos para as falcatruas no Master”.
Prisão e Investigação
Lideranças da esquerda reforçaram a necessidade de uma CPI e de pedidos de investigação junto à PGR, alegando que o senador foi “desmascarado” pela relação íntima e financeira com o banqueiro preso.
O senador Flávio Bolsonaro confirmou ter pedido o dinheiro, mas nega irregularidades, alegando tratar-se de um “filho buscando patrocínio privado para um filme sobre o pai”.
No entanto, a Polícia Federal segue analisando novos celulares de Daniel Vorcaro, que foi preso novamente após indícios de que teria ordenado a invasão de sistemas do Ministério Público Federal (MPF) para obter documentos sigilosos.
Foto: divulgação/PL
