Governo Lula quer padrão de segurança máxima em presídios do Amazonas
O plano Brasil contra o Crime Organizado foca na asfixia da comunicação e no isolamento de lideranças em 138 unidades penais.
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 13/05/2026 às 14:09 | Atualizado em: 13/05/2026 às 14:10
O governo federal lançou nesta semana uma ofensiva estratégica para desarticular a estrutura das facções criminosas a partir do sistema prisional. Durante o programa “Bom dia, ministro” desta quarta-feira (14 de maio), o ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington Lima, detalhou o plano que visa “emudecer” a comunicação do crime organizado.
A medida central é a implementação do padrão de segurança máxima em 138 unidades prisionais brasileiras, com impacto direto na gestão carcerária do Amazonas.
O foco principal da ação é neutralizar o uso de telefones celulares, principal ferramenta de comando utilizada por lideranças detidas para coordenar crimes extramuros.
O plano busca replicar o modelo de excelência das cinco unidades penais federais existentes para presídios estaduais estratégicos, garantindo que o isolamento dos detentos seja efetivo e tecnológico.
Tecnologia e asfixia da comunicação
A estratégia faz parte do programa Brasil contra o Crime Organizado, articulado pelo presidente Lula, que se divide em quatro eixos.
A meta é elevar o padrão de segurança das unidades selecionadas, dotando-as de bloqueadores de sinal de rádio frequência de última geração, scanners corporais e protocolos rígidos de revista. No Amazonas, onde a influência de facções no sistema prisional é historicamente crítica, a medida visa impedir que ordens de ataques, execuções e logística de tráfico de drogas saiam das celas.
“Nós vamos replicar o modo de funcionar e o equipamento que está presente nas cinco unidades federais para 138 unidades em todo o país. É algo muito impactante e relevante”, afirmou o ministro.
Padrão de segurança máxima
Além do bloqueio tecnológico, o plano prevê o reforço do efetivo policial e a padronização de protocolos de inteligência.
A ideia é criar uma rede nacional de presídios que operem sob o mesmo rigor, dificultando a migração de métodos criminosos entre diferentes estados. Para o setor da segurança no Amazonas, a integração com as diretrizes federais representa um passo crucial para conter o avanço das organizações que disputam as rotas internacionais da região.
O programa também foca na “asfixia financeira”, retirando o poder econômico das facções por meio da investigação de lavagem de dinheiro.
Segundo o governo, ao retirar o acesso à comunicação e ao capital, o Estado retoma o controle absoluto das unidades e enfraquece a hierarquia do crime nas ruas.
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Foto: Ricardo Stuckert / PR
