Ufam reage à violência da extrema direita após agressão de Ubirajara Rosses
Professores e estudantes articulam mobilização e cobram responsabilização da câmara de vereadores de Manaus
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 08/05/2026 às 12:16 | Atualizado em: 08/05/2026 às 12:16
Docentes da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) decidiram organizar uma resposta política e institucional à invasão e à agressão atribuídas ao vereador da extrema direita Ubirajara Rosses (PL).
Em reunião realizada na manhã desta quinta-feira (7 de maio), no campus da universidade, em Manaus, professoras e professores discutiram estratégias de enfrentamento e aprovaram encaminhamentos voltados à mobilização da comunidade acadêmica e à responsabilização do parlamentar.
Com participação da Adua (associação dos docentes), o encontro teve como pauta central os episódios recentes de intimidação dentro da universidade.
Entre os docentes, prevaleceu a avaliação de que ações desse tipo não são fatos isolados, mas parte de uma ofensiva da extrema direita contra o ambiente universitário, a autonomia das instituições públicas e a liberdade acadêmica.
Durante a reunião, os participantes defenderam mecanismos de reação coletiva para evitar que novos episódios encontrem docentes isolados diante de provocações e agressões.
Leia mais
Professor da Ufam denuncia agressões de vereador e cobra punição política
Mobilização
A preocupação é que, em ano eleitoral, esse tipo de ação se intensifique e seja explorado como estratégia de visibilidade política.
Como encaminhamento imediato, o grupo aprovou adesão à mobilização “Reunião aberta em defesa da Ufam e construção de estratégias coletivas”, convocada para a próxima segunda-feira (11), às 13h, no Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais, pelo campo popular do movimento social do Amazonas.
Também ficou definida a realização de uma reunião ampliada, após o ato, com participação de docentes da Ufam, movimentos sociais, populares e estudantis, partidos políticos, sindicatos e outras organizações.

UEA solidária
A articulação com a comunidade acadêmica da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) também entrou entre os encaminhamentos.
Os docentes defenderam unidade entre as universidades públicas diante de ataques que, na avaliação do grupo, vêm se repetindo e extrapolam os limites da Ufam.
A referência inclui episódios recentes na UEA, como a reação de estudantes da Escola Superior de Artes e Turismo (Esat) a ataques nas redes sociais contra uma atividade artística realizada na área externa da faculdade.
Para os participantes, os casos revelam uma escalada de hostilidade contra o espaço universitário e a produção crítica.
No campo institucional, a reunião decidiu cobrar posicionamento da Câmara Municipal de Manaus, já que o episódio mais recente dentro da Ufam envolveu um vereador da capital. O 2º vice-presidente da Adua, José Alcimar de Oliveira, defendeu que a casa seja formalmente acionada.
Vereadores cobrados
A proposta foi reforçada pela professora Ivânia Vieira, da Faculdade de Informação e Comunicação, que afirmou haver quebra de decoro parlamentar por parte de Ubirajara Rosses.
Como resultado, os docentes aprovaram o encaminhamento de um documento à comissão de ética da câmara municipal relatando o caso.
A reunião contou ainda com a presença de Conceição Martins, da Coordenação Estadual Setorial de Ciência e Tecnologia do Partido dos Trabalhadores (PT) no Amazonas, e de Walter Matos, representante do Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Amazonas (Sindsep-AM).
A decisão de acionar a comissão de ética e ampliar a mobilização política sinaliza que a comunidade acadêmica não pretende normalizar a violência política no espaço universitário.
Para os docentes, a defesa da universidade pública exige reação articulada diante de uma ofensiva que ameaça a autonomia universitária e a vida democrática.
Fotos: divulgação
