Câmara celebra 200 anos com ex-presidentes marcados por prisões
Sessão solene reuniu sete ex-presidentes da casa; três já foram presos e todos enfrentaram problemas na Justiça
Ana de Oliveira, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 06/05/2026 às 17:02 | Atualizado em: 06/05/2026 às 17:02
A Câmara dos Deputados celebrou nesta quarta-feira (6 de maio) os 200 anos de instalação do parlamento brasileiro com uma sessão solene que reuniu sete ex-presidentes da casa.
O evento, conduzido pelo atual presidente Hugo Motta (Republicanos-PB), teve como objetivo homenagear trajetórias políticas, mas acabou evidenciando o histórico judicial de parte significativa dos presentes.
Na mesa principal, estavam Michel Temer, João Paulo Cunha, Arlindo Chinaglia, Marco Maia, Eduardo Cunha, Waldir Maranhão e Rodrigo Maia.
Da homenagem à controvérsia
A imagem que reuniu os ex-presidentes sintetizou um dado recorrente da política recente: entre os sete homenageados, três já foram presos, enquanto os demais foram alvos de investigações ou denúncias.
O caso mais emblemático é o de Eduardo Cunha, que presidiu a Câmara entre 2015 e 2016. Ele foi condenado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e evasão de divisas, em processos ligados à operação Lava Jato, investigação que apurou esquemas bilionários de propina envolvendo a Petrobras. Cunha chegou a ter o mandato cassado antes da prisão.
Também presente, João Paulo Cunha (2003-2005) foi o primeiro ex-presidente da Câmara a cumprir pena. Ele foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal no escândalo do mensalão por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, cumprindo pena de 2014 a 2016.
Michel Temer, que comandou a Câmara em três períodos, foi preso preventivamente em 2019, no âmbito de desdobramentos da Lava Jato.
As investigações o relacionavam a suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e outros crimes ligados a contratos da Eletronuclear.
Temer também foi alvo de denúncias por corrupção e obstrução de Justiça após deixar a Presidência da República.
Investigados
Os demais nomes presentes na homenagem também enfrentaram questionamentos judiciais ao longo da carreira.
Arlindo Chinaglia e Marco Maia foram citados em investigações relacionadas à Lava Jato, por suspeitas de recebimento de vantagens indevidas de empreiteiras em troca de favorecimentos políticos.
Waldir Maranhão, que assumiu interinamente a presidência da Câmara em 2016, após a queda de Eduardo Cunha, foi investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro e irregularidades financeiras.
Rodrigo Maia, que presidiu a Casa entre julho de 2016 e fevereiro de 2021, também foi alvo de inquéritos que apuraram supostos pagamentos irregulares vinculados à Odebrecht, no contexto das delações da Lava Jato.
Contraste
A sessão comemorativa pretendia reforçar a trajetória bicentenária da Câmara. No entanto, a composição da mesa de homenageados expôs o contraste entre a relevância institucional do Legislativo e os episódios de crise ética e judicial que marcaram parte de suas lideranças nas últimas décadas.
Em comum, os sete ex-presidentes reunidos compartilham não apenas o comando de uma das principais instituições do país, mas também a condição de terem enfrentado, em maior ou menor grau, investigações, denúncias ou condenações no sistema de Justiça brasileiro.
Foto: Agência Câmara
