Alerta ao povo: o risco da entrega nacional e da volta à fome
Texto alerta para impactos da agenda econômica bolsonarista, com riscos de perda de soberania, alta do custo de vida e agravamento da fome no Brasil
Por Plínio César Coelho*
Publicado em: 06/05/2026 às 14:53 | Atualizado em: 06/05/2026 às 14:53
A agenda econômica defendida por Flávio Bolsonaro não é uma promessa abstrata; é a continuidade de um projeto que já demonstrou ser devastador para a soberania nacional e para a sobrevivência básica do cidadão.
Ao declarar que seguirá a linha adotada pelo governo de seu pai, o senador reafirma o compromisso com um modelo que não apenas retira direitos, mas que retira a comida do prato dos brasileiros.
O Brasil no mapa da fome
É fundamental lembrar que foi sob a gestão de Jair Bolsonaro — cujas políticas Flávio promete replicar — que o Brasil retornou ao mapa da fome da ONU (FAO). Este não é um dado opinativo, mas um diagnóstico técnico global. A combinação de inflação descontrolada de alimentos e a destruição de políticas de segurança alimentar jogou milhões de brasileiros de volta à insegurança alimentar grave.
Replicar esse modelo é aceitar o risco de aprofundar essa tragédia humanitária.
A entrega da Petrobrás e o custo de vida
O impacto mais direto na inflação vem da política de privatização. No governo anterior, a venda de refinarias e da BR Distribuidora retirou do Estado o controle sobre o preço interno.
• Perda da soberania: ao entregar refinarias ao setor privado, o Brasil abdicou de proteger o consumidor das flutuações do dólar.
• Preços abusivos: as empresas que assumiram o patrimônio estatal passaram a ditar preços baseados em interesses privados, lucrando enquanto o trabalhador sofre para pagar o gás de cozinha e o transporte. Sem o controle estatal, o país fica vulnerável a crises externas, como as tensões no Irã, sem qualquer escudo para o preço interno.
Do prejuízo à cachaça às terras raras
A linhagem política dos Bolsonaro é marcada por um servilismo estrangeiro que penaliza o produtor nacional:
• Traição ao capital e ao trabalho: Eduardo Bolsonaro, ao alinhar-se cegamente a interesses americanos, assistiu à imposição de tarifas sobre produtos estratégicos brasileiros, como a cachaça, o aço e o alumínio. Isso destruiu a renda de pequenos produtores e afetou o emprego na indústria e no campo.
• Entrega de riquezas: recentemente, em solo americano, Flávio Bolsonaro ofereceu nossas terras raras e minerais estratégicos aos EUA sem qualquer exigência de processamento interno ou agregação de valor. É o “entreguismo” que mantém o Brasil como um almoxarifado do mundo, exportando matéria-prima bruta e importando tecnologia cara.
O ataque à renda e ao trabalho
• Escala abusiva: Flávio Bolsonaro se posiciona contra o fim da escala 6×1, defendendo um sistema que exaure o trabalhador e prioriza o lucro acima da saúde humana.
• Arrocho salarial: o plano de desvincular o salário mínimo e as aposentadorias da correção pela inflação é um projeto de empobrecimento programado. Retirar o ganho real significa condenar milhões de idosos e trabalhadores a uma perda perpétua de poder de compra.
O mundo real contra a especulação
Não se trata de retórica política, mas de fatos comprovados pela história recente e por organismos internacionais.
O projeto de Flávio Bolsonaro é o projeto da “mileização”: um Estado fraco para o povo, mas forte para entregar as riquezas nacionais.
O alerta é urgente: o caminho da desregulação total e da privatização desenfreada é o caminho que já levou o Brasil de volta à fome.
Defender a soberania é defender a vida.
*O autor é economista, professor-adjunto da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), mestre em administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutorando em ciências empresariais e sociais na Universidad de Ciencias Empresariales y Sociales (Uces), Buenos Aires, Argentina.
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