Amazônia: facção opera também no garimpo e altera rumo do ouro na fronteira

Presença do Comando Vermelho no Peru impacta comércio ilegal e acende alerta em áreas de fronteira com o Brasil

Amazônia: facção opera também no garimpo e altera rumo do ouro na fronteira

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 04/05/2026 às 10:32 | Atualizado em: 04/05/2026 às 10:32

O avanço de facções criminosas na Amazônia tem provocado mudanças no mercado ilegal de ouro na região de fronteira entre Brasil e Peru.

Dessa forma, relatos de comerciantes em Pucallpa indicam uma redução na oferta do metal precioso, especialmente proveniente do rio Abujao, afluente que historicamente abastecia o comércio local.

Segundo um joalheiro da cidade, o ouro já não chega com a mesma frequência. A percepção é de que a exploração tem sido dominada por novos atores, incluindo grupos estrangeiros e organizações criminosas. Como informa a Folha de S.Paulo.

Autoridades locais apontam que o Comando Vermelho, uma das principais facções do Brasil, passou a atuar diretamente no garimpo ilegal em território peruano, influenciando a dinâmica da extração e distribuição do minério.

A presença do grupo no país vizinho não é recente. Desde meados de 2015, quando expandiu sua atuação na região amazônica para disputar espaço com o Primeiro Comando da Capital e organizações locais, a facção tem diversificado suas atividades ilícitas.

Além do tráfico de drogas, passou a operar também no contrabando de madeira e, mais recentemente, no garimpo de ouro.

O interesse crescente pelo metal está diretamente ligado à valorização no mercado internacional. Enquanto o preço da cocaína enfrenta estabilidade, o ouro se tornou uma alternativa mais lucrativa e estratégica para as facções.

Dados da Fundação para a Conservação e o Desenvolvimento Sustentável indicam que ao menos 17 grupos criminosos atuam atualmente no noroeste da floresta amazônica, região que inclui o entorno de Pucallpa.

Capital do departamento de Ucayali, a cidade peruana tem cerca de 300 mil habitantes e mantém características de um centro urbano de pequeno porte.

Com infraestrutura limitada e acesso difícil, a região é marcada por baixa presença do Estado, fator que contribui para a expansão de atividades ilegais. A cerca de 100 quilômetros dali está a fronteira com o Acre, área considerada estratégica para o escoamento de ouro e outros produtos ilícitos.

A falta de fiscalização e a geografia de difícil acesso tornam a região propícia para o avanço do crime organizado. Especialistas alertam que o fortalecimento dessas redes ilegais não apenas compromete o controle territorial, como também agrava impactos ambientais e sociais na Amazônia.

Procuradas pela reportagem, a Polícia Federal brasileira e a polícia peruana não se manifestaram até o fechamento desta matéria.

Leia mais em Folha de S.Paulo.

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Foto: Polícia Federal