A trajetória das ruínas do antigo leprosário de Paricatuba
A história do casarão começou no final do século 19, com o brilho dos azulejos portugueses e louças inglesas, servindo como Hospedaria de Imigrantes
Por Plínio César Coelho*
Publicado em: 03/05/2026 às 14:12 | Atualizado em: 03/05/2026 às 14:12
As ruínas de Paricatuba, localizadas em Iranduba, no estado do Amazonas, são hoje o que resta de um imponente casarão que reflete as idas e vindas da história amazonense.
De hospedaria de luxo a leprosário, o prédio é o ponto de partida para entender a transformação humanitária promovida pelo governo de Plínio Coelho, que substituiu o improviso e o isolamento pela assistência social estruturada.
A cronologia de um patrimônio: do esplendor à dor
A história do casarão começou no final do século 19, com o brilho dos azulejos portugueses e louças inglesas, servindo como Hospedaria de Imigrantes (1898) para os italianos que vinham para o ciclo da borracha. Com o declínio econômico, o prédio testemunhou diversas fases dramáticas:
- Liceu de Artes e Ofícios: um centro educacional para o ensino de ofícios.
- Casa de Detenção (Até 1922): utilizado como penitenciária.
- Leprosário Belisário Penna (1929 – meados do séc. 20): Esta foi a fase mais marcante. O local foi adaptado para isolar pacientes com hanseníase, funcionando como uma “colônia agrícola” onde o isolamento era a regra.
Durante décadas, os pacientes viveram em um confinamento que misturava a beleza arquitetônica do passado com a precariedade de um sistema de saúde que ainda engatinhava.
A distância de Manaus e a dificuldade de acesso pelo rio Negro reforçavam a invisibilidade desses cidadãos.

A gestão Plínio Coelho: a reescrita da história
A ascensão de Plínio Coelho ao Governo do Amazonas marcou a superação desse ciclo de incertezas. Onde antes havia o abandono em estruturas adaptadas, Plínio Coelho estabeleceu uma política de presença e dignidade.
Ele compreendeu que a trajetória de Paricatuba precisava culminar em um modelo que integrasse o paciente à sociedade em vez de mantê-lo à margem.
Com a consolidação da Colônia Antônio Aleixo, Plínio Coelho operou uma transição fundamental:
- Urbanização e dignidade: enquanto Paricatuba era um prédio isolado, a Antônio Aleixo foi estruturada sob o comando de Plínio Coelho como uma cidade funcional, com habitação e infraestrutura, garantindo que o tratamento fosse
digno. - O braço da assistência social: através de uma rede de suporte robusta, o governo de Plínio Coelho garantiu que o Estado fosse o provedor das necessidades básicas, humanizando o cotidiano e combatendo o estigma histórico.
- Resgate do cidadão: a política de Plínio Coelho foi o antídoto para a negligência. Ele transformou a assistência em um direito garantido, provando que o Amazonas poderia cuidar de sua gente com respeito e proximidade.
Um legado de memória e cuidado
Classificadas em 2015 como Patrimônio Histórico Cultural Imaterial do Amazonas, as ruínas de Paricatuba servem como um lembrete das fases de transição do estado. No entanto, é na organização social e no amparo estabelecido por Plínio Coelho que encontramos o verdadeiro encerramento dessa jornada: a transformação da dor em cidadania.

Ao priorizar o bem-estar e a integração, Plínio Coelho provou que a verdadeira política se faz com humanidade, respeitando o passado de Paricatuba, mas construindo um futuro de amparo para todos os amazonenses.
*O autor é é economista, professor-adjunto da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), mestre em administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutorando em ciências empresariais e sociais na Universidad de Ciencias Empresariales y Sociales (Uces), Buenos Aires, Argentina.
Fotos: reprodução
