Sicredi projeta expansão no Amazonas após ano recorde em 2025

Após consolidar impacto social e econômico no último exercício, instituição cooperativa detalha planos de novos investimentos e ampliação da rede de atendimento no estado para 2026

Ana de Oliveira, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 28/04/2026 às 18:17 | Atualizado em: 28/04/2026 às 18:17

Neste dia 28 de abril, em evento com a imprensa realizado em Manaus, o Sicredi apresentou os resultados de 2025, seu ano recorde no Amazonas, e detalhou a estratégia de prospecção econômica para 2026.

A instituição financeira cooperativa, que alcançou R$ 422 milhões em ativos totais no estado, planeja expandir sua rede física para o interior e fortalecer o apoio aos pequenos fornecedores da Zona Franca de Manaus (ZFM), ocupando o vácuo deixado por bancos tradicionais que têm reduzido estruturas presenciais.

O “terreno fértil” dos pequenos negócios

A prospecção econômica do Sicredi identificou no setor de serviços e nas micro e pequenas empresas o campo mais fértil para investimentos imediatos.

Enquanto o agronegócio enfrenta entraves burocráticos e ambientais, o crédito para pessoas jurídicas (PJ) saltou para R$ 190,8 milhões, impulsionado por mais de 37 mil operações.

Segundo o gerente regional de desenvolvimento, Rudinei Kronbauer, a agilidade do setor empresarial é o grande motor atual:

“Nas empresas a gente evolui rápido, está crescendo bastante”.

No Amazonas, 96% do crédito destinado a empresas foi acessado por MEI e micro e pequenas empresas, fundamentais para a rede de suprimentos do polo industrial da ZFM.

Interiorização e modernização na ZFM

O plano estratégico para 2026 prevê a abertura de novas agências no interior, onde o crédito tradicional é escasso, com foco inicial no município de Coari.

Na capital, a disputa pelo mercado corporativo da ZFM ganha um novo fôlego com a oferta de serviços de câmbio para atender empresas do distrito industrial.

Embora a busca por crédito para modernização tecnológica (indústria 4.0) ainda seja pequena, a instituição se posiciona como consultora para viabilizar esses avanços.

“Eu não tenho dúvida que a gente vai expandir… pelo potencial da região, dos municípios, a gente vai expandir sim no Amazonas”.

Reinvestimento local

Um dos pilares políticos do Sicredi é a defesa do “ato cooperativo” para garantir a competitividade do modelo diante da reforma tributária.

Diferentemente dos bancos comerciais, o excedente financeiro do Sicredi permanece no estado, funcionando como um “escudo” para o comércio local.

“A gente tem essa grande diferença de trazer o recurso, centralizar esse recurso e também distribuir através de operações de crédito, movimentando toda a economia da cidade onde o Sicredi está instalado”.

Gargalos no setor primário

Apesar do otimismo, a instituição aponta desafios regulatórios que limitam o uso de recursos mais baratos, como o Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO).

A rigidez da legislação ambiental e a falta de regularização fundiária no Amazonas são vistas como barreiras que tornam o crescimento do agro mais lento que em estados vizinhos.

“No Amazonas nós temos uma legislação bastante rigorosa… a gente sente quanto operador de crédito, essa dificuldade na pessoa jurídica”, comentou o gerente sobre os entraves para o pequeno produtor rural.

Fotos: BNC Amazonas