Amazônia: desmatamento retrai no trimestre, mas março foi de alta
Roraima apresentou maior derrubada no período, enquanto Canutama é o que mais desmatou no Amazonas.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 27/04/2026 às 18:47 | Atualizado em: 27/04/2026 às 20:55
A Amazônia Legal registrou queda de 17% no desmatamento no primeiro trimestre de 2026, mas o avanço observado em março e a concentração da devastação em municípios específicos, como Rorainópolis e Canutama, indicam que o cenário ainda exige atenção redobrada das autoridades ambientais.
Levantamento do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia aponta que, entre janeiro e março, foram derrubados 348 km² de floresta, contra 419 km² no mesmo período de 2025. A redução também aparece no chamado calendário do desmatamento — que vai de agosto a julho — com queda de 36%, passando de 2.296 km² para 1.460 km². A informação é do g1.
Apesar dos números positivos no acumulado, o comportamento de março preocupa. O mês registrou 196 km² de área desmatada, alta de 17% em relação ao mesmo período do ano passado. Para especialistas, o dado sinaliza que a pressão sobre a floresta permanece ativa, especialmente em regiões onde o avanço ocorre de forma concentrada.
É nesse contexto que municípios como Rorainópolis, no sul de Roraima, e Canutama, no sul do Amazonas, entram no radar. Ambos figuram entre os dez que mais desmataram no período analisado, ao lado de cidades historicamente pressionadas pela expansão agropecuária e ocupações irregulares.
No recorte estadual, Roraima chama atenção por ser o único estado com aumento no desmatamento: a área devastada subiu 21%, passando de 184 km² para 222 km². Já Amazonas, onde está Canutama, segue entre os estados com grandes áreas sob pressão, embora não lidere o ranking.
O estudo, baseado no Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), utiliza tecnologia capaz de identificar áreas degradadas a partir de 1 hectare, o que permite maior precisão no monitoramento. A metodologia difere da utilizada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que considera áreas maiores.
Além do desmatamento — caracterizado pela remoção total da vegetação — os pesquisadores também alertam para a degradação florestal, causada por queimadas e exploração madeireira, que frequentemente antecede a derrubada completa.
Para o Imazon, o avanço localizado, como o observado em Rorainópolis e Canutama, reforça a necessidade de políticas públicas mais direcionadas. Entre as medidas apontadas estão o fortalecimento da fiscalização, a responsabilização por crimes ambientais e o incentivo a atividades econômicas sustentáveis que mantenham a floresta em pé.
A concentração da destruição em áreas específicas, segundo o instituto, mostra que o combate ao desmatamento passa não apenas por ações amplas, mas por intervenções estratégicas nos territórios mais vulneráveis da Amazônia.
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Foto: arquivo/Ipaam
