Governo barra sites de aposta de ‘previsão’ que funcionam como bets

Governo reage após expansão de plataformas que operavam sem regra e sem proteção ao consumidor

Governo barra sites de aposta de 'previsão' que funcionam como bets

Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas

Publicado em: 24/04/2026 às 20:14 | Atualizado em: 24/04/2026 às 20:16

O governo federal determinou o bloqueio de plataformas digitais que operam o chamado “mercado de previsão”, modalidade que permite apostar dinheiro em resultados de eventos futuros como, por exemplo, de eleições a programas de entretenimento.

A medida, anunciada nesta sexta-feira (24 de abril), será executada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), responsável por retirar do ar os sites considerados irregulares.

A decisão ocorre após a expansão silenciosa dessas plataformas no Brasil, que passaram a atrair usuários com promessas de ganhos fáceis em um modelo que, na prática, pouco se diferencia das apostas online já conhecidas.

A mesma lógica das bets

Apesar do nome mais sofisticado, o funcionamento é simples: o usuário aposta dinheiro em um resultado futuro e recebe retorno financeiro se acertar.

Na prática, trata-se da mesma lógica das bets, a de ganhar ou perder dinheiro com base em um evento incerto, mas operando fora das regras impostas ao setor de apostas esportivas.

Para o governo, esse tipo de atividade não tem respaldo legal e expõe o consumidor a riscos elevados, sem qualquer garantia ou fiscalização.

A decisão se apoia em diretrizes do Conselho Monetário Nacional (CMN), que proíbe contratos desse tipo ligados a eventos políticos, esportivos ou sociais sem autorização.

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Estado reage depois da expansão

O bloqueio reforça um padrão já conhecido: o Estado age apenas depois que o mercado se consolida.

Assim como ocorreu com as apostas esportivas, as plataformas de previsão cresceram rapidamente, impulsionadas pela popularização das bets e pela falta de regras claras.

Só agora, com o alcance ampliado e os riscos evidentes, o governo decidiu intervir.

O que muda na prática

Com a decisão, operadoras de telecomunicações passam a bloquear o acesso às plataformas no Brasil.

As apostas esportivas regulamentadas seguem autorizadas, o que evidencia uma linha tênue, e questionável, entre o que é permitido e o que passa a ser proibido.

No fim, para o apostador comum, a diferença entre uma “plataforma de previsão” e uma bet tradicional é mínima. Já para o Estado, a distinção só aparece quando o problema já ganhou escala.

Foto: Imagem gerada por IA