Vídeo: Agente do Ibama dá lição de lei em Alberto Neto, em Matupi
Confronto em distrito do Amazonas expõe embate entre narrativa política e fundamentos legais, enquanto agente federal rebate críticas e aponta omissões do poder público diante de crimes ambientais.
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 22/04/2026 às 07:02 | Atualizado em: 22/04/2026 às 07:02
Em meio a tensões recorrentes entre moradores, políticos e órgãos de fiscalização ambiental no sul do Amazonas, um vídeo gravado na Vila de Matupi, distrito de Manicoré, expõe um embate que terminou com uma inversão de papéis: o deputado federal Capitão Alberto Neto (PL) acabou confrontado por argumentos legais apresentados por um agente do Ibama.
O episódio ocorre após ataques a uma equipe do Ibama que combatia a exploração ilegal de madeira dentro na terra indígena Temharin-Marmelos. A operação culminou na destruição de um veículo do órgão.
A gravação do vídeo mostra o parlamentar acompanhando moradores que questionavam a fiscalização ambiental. A pressão contra os agentes era especialmente sobre a apreensão e destruição de equipamentos ligados a atividades madeireiras. Moradores e o deputado argumentavam que as intervenções do órgão haviam deixado os moradores de Matupi sem água tratada.
No entanto, ao longo da conversa, o agente federal desmonta as críticas ao Ibama e reposiciona o debate. Assim sendo, ele apontando responsabilidades legais e falhas estruturais do poder público local.
Leia mais
Agentes do Ibama sofrem emboscada e têm viatura incendiada no Amazonas
Responsabilidade legal e desinformação
Logo no início, o agente esclarece que a operação não atingiu moradores comuns, mas sim estruturas vinculadas a um madeireiro. Este, repete, sob investigação e com inquérito na Polícia Federal. Mais que isso, acrescentado, com ordem de prisão em aberto. Segundo o agente, a narrativa de que a população estaria sendo prejudicada diretamente pelo Ibama não se sustenta.
“Não é uma pessoa comum. Está com inquérito na Polícia Federal”, afirma, ao explicar que a ação teve alvo específico.
Falta d’água
O agente também rebate a acusação de que o órgão teria causado a falta de água na comunidade. Ele afirma que o problema decorre da ausência de políticas públicas municipais, e não da fiscalização ambiental.
“Não é responsabilidade do Ibama dar água para ninguém. Se a população está sem água, é porque o poder público não está cumprindo seu papel”, diz.
Dependência de atividades ilegais
Um dos pontos centrais da discussão foi a dependência da comunidade em relação a estruturas mantidas por madeireiros, muitas vezes ilegais, para serviços básicos como abastecimento de água e manutenção de estradas.
O agente classifica essa situação como consequência direta da omissão do poder público local. “Um distrito que depende de madeireiro para ter água e estrada não pode jogar essa responsabilidade no Ibama”, afirmou.
A fala expõe uma realidade conhecida na região sul do Amazonas: a substituição do Estado por atividades econômicas irregulares, que passam a suprir necessidades básicas da população.
Confronto com o deputado
Durante o diálogo, o deputado tentou sustentar que sua presença se dava como resposta às demandas da população. No entanto, foi repreendido pelo agente, que criticou a forma como a mobilização foi conduzida.
“Antes de trazer todo mundo aqui, deveria ter procurado o Ibama para entender a situação”, afirmou.
O agente reforça que autoridades públicas, incluindo parlamentares, têm o dever de agir com base na legalidade e na informação correta. “Nós somos obrigados a seguir a lei”, pontuou.
Debate sobre abordagem das operações
O deputado também questionou a estratégia de destruição de equipamentos, sugerindo uma atuação mais preventiva. O agente respondeu que as ações seguem critérios legais e são direcionadas a crimes ambientais comprovados.
Ele ainda desmentiu relatos de truculência, convidando moradores a apresentarem provas caso tenham sido maltratados. “Mostra os vídeos aí que a gente esclarece”, disse.
Clima de tensão e insegurança
O encontro também revelou o temor de trabalhadores locais, que alegam risco de perder seus meios de subsistência. Alguns relataram medo de novas operações atingirem propriedades regularizadas.
Em resposta, o agente afirmou que há distinção entre atividades legais e ilegais e que madeireiros regularizados não são alvo das ações.
Veja o vídeo:
Foto e vídeo: divulgação
