‘Ações de Trump têm sido altamente favoráveis para o Brasil’

Frase é do ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, que fez palestra a empresários do Amazonas, na sede da Fieam, na noite desta quinta-feira, dia 9

Joaquim Levy ex-ministro da Fazenda - Foto: BNC Amazonas

Neuton Corrêa, da Redação do BNC AMAZONAS

Publicado em: 09/04/2026 às 21:09 | Atualizado em: 09/04/2026 às 21:09

Em um momento de forte apreensão no ambiente econômico global, marcado por tensões geopolíticas e incertezas comerciais, a palestra do ex-ministro da Fazenda Joaquim Levy, realizada no início da noite desta quinta-feira (9), em Manaus, terminou em tom de alívio para empresários do Polo Industrial da Zona Franca. Joaquim Levy comandou a Fazenda em 2015, no governo Dilma Rousseff (PT).

O evento, da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), reuniu lideranças empresariais que chegaram ao auditório com preocupação frente aos impactos de um cenário internacional instável — especialmente sobre da guerra em curso e de decisões econômicas recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como a adoção de tarifas comerciais.

A expectativa, no entanto, foi gradualmente substituída por uma percepção mais positiva ao longo da exposição de Levy. Ele fez isso ao discorrer o tema de sua palestra: “cenários econômicos”. Ele tratou o assunto sob perspectiva pragmática e, em alguns pontos, surpreendente.

Um dos momentos mais emblemáticos da palestra ocorreu quando o ex-ministro, com cautela, afirmou que o Brasil ganha com o presidente dos EUA. “Curiosamente, muitas das ações de Trump têm sido altamente favoráveis para o Brasil”. A avaliação, que contrasta com a leitura predominante no mercado, foi recebida com atenção pela plateia.

Segundo Levy, determinadas medidas protecionistas adotadas pelos Estados Unidos acabam, na prática, abrindo oportunidades para economias como a brasileira, seja por redirecionamento de fluxos comerciais, seja por efeitos indiretos sobre preços e competitividade.

Impacto regional

Levy também aproximou a análise para o contexto local. Ele disse que Manaus pode se beneficiar diretamente de variáveis específicas do cenário internacional. Entre elas, ele citou o preço do diesel, insumo estratégico para a logística e a indústria da região.

“Aqui em Manaus, vocês devem estar bem felizes por causa do preço do diesel”, afirmou Levy. Para o ex-ministro, os investidores de Manaus possuem motivos para otimismo em relação ao preço do diesel, porque o insumo é fator crucial para o escoamento da produção e para o custo operacional no coração da Amazônia.

Assim sendo, o cenário de guerra, que outrora era visto apenas como risco, foi recontextualizado por Levy como um fator que, no arranjo atual, beneficia a competitividade da Zona Franca. A observação foi interpretada pelos presentes como um sinal de resiliência da economia regional, mesmo diante de um ambiente global turbulento.

Clima de alívio

Ao final do evento, o sentimento predominante entre os empresários era de maior confiança. Se antes predominavam dúvidas sobre os rumos da economia internacional, a leitura apresentada por Levy contribuiu para relativizar riscos e apontar possíveis oportunidades.

O evento ocorreu sob a liderança do presidente da Fieam, Antônio Silva. Ele contou também com a presença do presidente interino da Assembleia Legislativa do Amazonas, deputado Adjuto Afonso (União).

Foto: BNC Amazonas