Silêncio: o terceiro dia após renúncias de Wilson Lima e Tadeu de Souza
Cautela prevaleceu entre os grupos políticos que podem se confrontar na disputa pelo governo-tampão
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 08/04/2026 às 05:45 | Atualizado em: 08/04/2026 às 06:56
O terceiro dia após as renúncias do ex-governador Wilson Lima (União) e do vice-governador Tadeu de Souza (PP) foi marcado por um movimento que, embora menos visível, revela a intensidade das articulações políticas em curso: o silêncio estratégico.
Depois de um domingo agitado, com reuniões abertas e fechadas envolvendo diferentes grupos políticos, e de uma segunda-feira ainda movimentada nos bastidores e nos espaços públicos, a terça-feira (dia seguinte) apresentou um cenário distinto.
Dessa forma, lideranças que vinham sendo esperadas em eventos e espaços de articulação optaram por reduzir a exposição. Pode ser indicativo claro de que o jogo político entrou em fase mais cautelosa.
Um dos sinais mais evidentes desse recuo foi a ausência de figuras centrais do jogo na posse do reitor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), André Zogahib.
Ou seja, tanto o ex-governador Wilson Lima (União Brasil) quanto o governador interino, Roberto Cidade (União Brasil), eram esperados, mas não compareceram. A ausência simultânea reforçou a leitura de que ambos os grupos preferiram evitar gestos públicos que pudessem antecipar posições ou alianças.
No mesmo dia, o senador Omar Aziz também manteve agenda discreta. As movimentações ocorreram de forma reservada em seu escritório, no conjunto Ephigenio Salles, na zona centro-sul de Manaus. Sem declarações públicas ou encontros amplamente divulgados, o comportamento indica que o senador também está em fase de avaliação do novo cenário.
“Trégua tática”
O que se observa, portanto, é uma espécie de “trégua tática” entre os principais grupos políticos do estado. Após dois dias de intensa movimentação, a terça-feira foi dedicada à análise de cenários, cálculos políticos e construção de estratégias.
O contexto que motiva essa cautela é a indefinição sobre as regras da eleição indireta que escolherá o “governador-tampão”.
Com a vacância simultânea dos cargos de governador e vice, caberá à Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) conduzir o processo. No entanto, as regras dessa eleição ainda estão em elaboração. Elas serão decisivas.
Isso porque o eleito poderá assumir o comando do estado até o fim do mandato e, ao mesmo tempo, terá a possibilidade de disputar a eleição direta de outubro no exercício do cargo. Esse fator eleva o peso da escolha e amplia a disputa nos bastidores.
Sem regras definidas, qualquer movimento público pode significar exposição precoce ou erro de cálculo. Por isso, a terça-feira consolidou-se como o “dia de esconder o jogo”. Significa dizer que quando menos se fala, mais se negocia.
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Arte: IA/Gemini
