Raposa Serra do Sol: morte de indígena gera revolta contra garimpeiros

Lideranças contestam laudo policial que atribui falecimento de Gabriel Ferreira a ataque de formigas e intensificam protestos contra invasões territoriais em Roraima.

Raposa Serra do Sol: morte de indígena gera revolta contra garimpeiros

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 07/04/2026 às 08:10 | Atualizado em: 07/04/2026 às 08:10

O clima é de tensão e luto nas terras altas de Roraima. É que nesta segunda-feira (6), centenas de indígenas se mobilizaram na terra indígena Raposa Serra do Sol para denunciar a escalada de invasões garimpeiras e exigir justiça pelo assassinato de Gabriel Ferreira, jovem liderança cujo corpo foi encontrado em circunstâncias que a comunidade classifica como “absurdas”.

Os protestos, concentrados nos municípios de Amajari e Uiramutã, ocorrem em sintonia com o Acampamento Terra Livre (ATL) em Brasília. Sob o eco do grito “Quem matou Gabriel? Mexeu com um, mexeu com todos”, cerca de 800 manifestantes no Amajari contestam abertamente a versão oficial das autoridades sobre o caso.

A “versão das formigas” sob contestação

A principal fonte da revolta é o laudo técnico apresentado pela Polícia Civil. Segundo o documento, Gabriel teria sofrido um acidente, sido atacado por formigas e, em um suposto estado de desorientação, retirado as próprias roupas antes de se embrenhar na mata, onde faleceu.

Para as lideranças locais, a tese é uma afronta à inteligência dos povos originários e uma tentativa de mascarar a violência ligada ao garimpo ilegal na região.

  • – O desaparecimento: Gabriel ficou dez dias sumido antes de ser localizado, em 10 de fevereiro.
  • – A exigência: movimentos indígenas exigem o aprofundamento das investigações e uma perícia independente, apontando que o rastro de invasões territoriais é o verdadeiro contexto da morte.

“Não aceitamos explicações superficiais. A vida de um jovem líder não pode ser reduzida a um incidente com insetos quando nossas terras estão sendo invadidas por máquinas e violência”, afirmou uma das lideranças presentes no ato.

Mobilização Nacional: o eco do ATL

Enquanto os bloqueios e rituais de resistência ocupam as estradas e comunidades de Roraima, em Brasília o Acampamento Terra Livre fortalece o coro. Considerada a maior mobilização indígena do país, a edição deste ano foca não apenas na justiça por Gabriel, mas em pilares estruturais:

  1. Demarcação urgente: o fortalecimento da segurança jurídica sobre as terras já homologadas.
  2. Combate ao garimpo: a retirada imediata de invasores que contaminam rios e ameaçam a integridade física das comunidades.
  3. Saúde e educação: a cobrança por políticas públicas que respeitem a cultura e a logística das aldeias.

Assim, a mobilização na Raposa Serra do Sol permanece por tempo indeterminado. Para os povos Macuxi, Wapichana, Taurepang, Ingarikó e Patamona, a morte de Gabriel Ferreira não é um caso isolado, mas um símbolo da vulnerabilidade a que estão expostos enquanto o Estado não assegurar a proteção efetiva de seus territórios.

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