Ufam debate repatriação virtual e atuação indígena no alto rio Negro
A iniciativa reúne pesquisadores, lideranças indígenas e estudantes.
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 06/04/2026 às 13:08 | Atualizado em: 06/04/2026 às 13:10
A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) realiza nesta terça-feira (7 de abril) a roda de conversa “Libertando os ancestrais: repatriação virtual e o museu dos povos indígenas do rio Negro”, que propõe discutir a descolonização de acervos etnográficos e a valorização do protagonismo indígena na gestão de seu patrimônio cultural.
O evento ocorre às 14h, no auditório Rio Solimões do Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Letras, e é aberto ao público.
A iniciativa reúne pesquisadores, lideranças indígenas e estudantes para refletir sobre os impactos históricos da retirada de objetos rituais das comunidades amazônicas e os caminhos para sua recuperação simbólica.
A programação será coordenada pelo professor Raimundo Nonato da Silva, do Departamento de Antropologia da Ufam, e contará com a participação de Alexandre Tuyuka, Durvalino Desana e do antropólogo Renato Athias.
O evento é promovido pelo Museu Amazônico, em parceria com departamentos acadêmicos da universidade, além da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e do Núcleo de Estudos e Pesquisas sobre Etnicidade da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
Repatriação e memória
Um dos principais temas do encontro será o processo de “repatriação virtual” de artefatos indígenas levados ao exterior ao longo do século 20. Muitos desses objetos foram retirados durante ações missionárias entre as décadas de 20 e 30, período marcado pela destruição de malocas e pela repressão de práticas culturais tradicionais.
Para os povos do alto rio Negro, esses itens têm valor espiritual e são considerados “ancestrais vivos”, fundamentais para a manutenção de suas cosmologias.
Tecnologia como ferramenta de resistência
A roda de conversa também apresentará o projeto do Museu Virtual dos Povos Indígenas do Rio Negro, que utiliza tecnologias de digitalização em 3D para permitir que comunidades tenham acesso a acervos atualmente mantidos em instituições internacionais.
A proposta busca integrar conhecimentos acadêmicos e saberes tradicionais, em um modelo chamado de “arranjo intercientífico”, no qual anciãos, especialistas de cura e mestres de canto participam diretamente da construção das narrativas museológicas.
Gestão compartilhada
Outro ponto em debate será a criação de protocolos de gestão compartilhada entre museus e organizações indígenas, com o objetivo de garantir maior autonomia na preservação e difusão desses patrimônios.
A participação de jovens e mulheres indígenas também é destacada como essencial para a continuidade dessas iniciativas e para a preservação cultural das futuras gerações.
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Foto: divulgação
