Governo Lula festeja avanço contra desmatamento no sul do Amazonas
Programa União com Municípios inclui nove cidades amazonenses e concentra esforços na região mais pressionada pela devastação da floresta
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 01/04/2026 às 17:56 | Atualizado em: 01/04/2026 às 17:56
O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima apresentou nesta terça-feira (31 de março), em Brasília, os resultados do programa União com Municípios, iniciativa voltada ao combate ao desmatamento, aos incêndios florestais e à degradação ambiental em 70 municípios prioritários da Amazônia Legal.
No Amazonas, o programa inclui nove municípios: Apuí, Boca do Acre, Canutama, Humaitá, Itapiranga, Lábrea, Manaus, Manicoré e Novo Aripuanã. A lista concentra a atenção justamente sobre o sul do estado, área que há anos lidera os alertas de desmatamento e pressão sobre a floresta.
A seleção confirma o que os dados ambientais já apontam: o desmate no Amazonas tem se intensificado principalmente em municípios do sul e sudoeste, regiões marcadas pelo avanço da pecuária, ocupações irregulares, abertura de ramais e disputas fundiárias.
Segundo o ministério, o programa busca fortalecer a cooperação entre União, estados e prefeituras para ampliar ações de fiscalização, monitoramento, regularização ambiental e prevenção a queimadas.
A proposta também inclui apoio à gestão ambiental local e estímulo a atividades sustentáveis.
No caso do Amazonas, a medida mira uma área crítica da floresta. Municípios como Lábrea, Apuí, Boca do Acre, Humaitá, Canutama, Manicoré e Novo Aripuanã vêm aparecendo de forma recorrente entre os pontos de maior pressão ambiental no estado.
A presença de Manaus e Itapiranga na lista amplia o alcance institucional do programa, mas o núcleo da preocupação ambiental segue no interior, especialmente no eixo sul amazonense, onde a devastação tem avançado de forma mais acelerada.
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O avanço do desmatamento no sul do Amazonas não é um fenômeno recente. Trata-se de um processo contínuo, associado à expansão da fronteira agropecuária a partir de estados vizinhos e à ausência histórica de controle territorial efetivo.
A combinação de grilagem de terras públicas, abertura de estradas ilegais e baixa presença do Estado criou um ambiente propício para a consolidação de atividades que pressionam diretamente a floresta.
Em muitos casos, a ocupação irregular antecede qualquer resposta institucional, consolidando um ciclo difícil de reverter.
Programa enfrenta desafio de sair do papel
Embora o programa reforce a cooperação federativa, o principal desafio será garantir execução efetiva nas áreas críticas.
Municípios prioritários costumam enfrentar estrutura ambiental limitada, déficit técnico e dificuldades logísticas, o que reduz a capacidade de fiscalização e controle.
Na prática, conter o desmatamento no sul do Amazonas exige mais do que adesão formal ao programa.
Depende de presença contínua do poder público, integração entre órgãos de controle e enfrentamento direto de interesses econômicos que operam à margem da legalidade.
Sem isso, o risco é que a estratégia federal se restrinja ao plano institucional, enquanto a devastação segue avançando no território.
Municípios do Amazonas no programa
• Apuí
• Boca do Acre
• Canutama
• Humaitá
• Itapiranga
• Lábrea
• Manaus
• Manicoré
• Novo Aripuanã
Os 70 municípios por estado
Acre (6)
Acrelândia, Bujari, Feijó, Rio Branco, Sena Madureira e Tarauacá.
Amazonas (9)
Apuí, Boca do Acre, Canutama, Humaitá, Itapiranga, Lábrea, Manaus, Manicoré e Novo Aripuanã.
Mato Grosso (18)
Alta Floresta, Apiacás, Aripuanã, Brasnorte, Cláudia, Colniza, Cotriguaçu, Feliz Natal, Gaúcha do Norte, Juara, Juína, Marcelândia, Nova Bandeirantes, Nova Maringá, Nova Ubiratã, Paranatinga, Peixoto de Azevedo e União do Sul.
Pará (23)
Altamira, Anapu, Brasil Novo, Dom Eliseu, Itaituba, Jacareacanga, Medicilândia, Mojuí dos Campos, Monte Alegre, Novo Progresso, Novo Repartimento, Óbidos, Oriximiná, Pacajá, Paragominas, Portel, Rondon do Pará, Santa Maria das Barreiras, Santarém, São Félix do Xingu, Senador José Porfírio, Trairão e Uruará.
Rondônia (11)
Alta Floresta d’Oeste, Buritis, Candeias do Jamari, Cujubim, Machadinho d’Oeste, Nova Mamoré, Porto Velho, São Francisco do Guaporé, São Miguel do Guaporé, Vale do Anari e Vilhena.
Roraima (3)
Caracaraí, Rorainópolis e São Luiz.
Foto: Victor Moriyama/Greenpeace
