‘Se vierem com covardia, vão ver porque David cortou a cabeça do Golias’

Em escalada por disputa ao governo, primeiro discurso de David Almeida após renúncia ataca e manda recado

'Se vierem com covardia, vão ver porque David cortou a cabeça do Golias'

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 01/04/2026 às 05:17 | Atualizado em: 01/04/2026 às 09:14

Horas depois de renunciar ao cargo de prefeito de Manaus, David Almeida (Avante) fez seu primeiro pronunciamento público em tom de ataque. Foi um uma fala com acusações indiretas, recados a adversários e uma tentativa evidente de reposicionamento político diante do desgaste que aparece em pesquisas.

Sem citar nomes, o ex-prefeito adotou uma retórica de confronto ao afirmar que não aceitará “mentiras” nem “acusações infundadas”. Logo no início, buscou justificar o ambiente que antecedeu sua decisão de deixar o cargo, alegando ter sido alvo de pressões: “Sabem por que meus adversários bradavam que eu não teria coragem de renunciar? Porque todo dia chegava uma ameaça no meu celular”, disse.

Na sequência, elevou o tom ao descrever um cenário de intimidação política. “Chegava um interlocutor que sentava na frente, no sofá, de alguém que se comporta como um gangster, ameaçando, intimidando o povo, achando que no estado do Amazonas não tem cabra macho”, afirmou, em uma fala que reforça a estratégia de se colocar como alvo de perseguição.

Ao mesmo tempo, David Almeida tentou se defender de suspeitas e preservar sua imagem pública. “Eu provei, eu sou honrado, eu sou honesto, eu sou trabalhador. Eu ando de cabeça erguida, eu não tenho uma acusação. Ninguém acusa o David de desvio na saúde, ninguém acusa o David de desvio na educação”, declarou. Em outro momento, reforçou: “Em delação premiada, ninguém me acusou de nada. Eu sou um homem limpo”.

O discurso também trouxe ataques indiretos a adversários políticos, sugerindo que alguns deles carregam histórico de irregularidades. “Quem já foi acusado de roubar na saúde, de roubar na educação, de roubar na infraestrutura e de ter acusações pessoais não tinha que vir pedir o voto dos amazonenses. Tinha que pedir desculpas”, disse, sem nominar alvos.

Fala emblemática

A fala mais emblemática, no entanto, veio depois, em tom de desafio. “Eu quero discutir o estado do Amazonas no campo das ideias e das opiniões, mas se virem com covardia, com mentiras, com acusações infundadas, vão ver porque David cortou a cabeça do Golias”.

O pronunciamento ocorre em um contexto delicado. Pesquisas eleitorais recentes em Manaus mostram o ex-prefeito fora da liderança. Ele aparece em terceiro lugar, atrás do senador Omar Aziz (PSD), que lidera a corrida, e de Maria do Carmo (PL), que vem consolidando a segunda posição. Neste cenário, David estaria fora de um eventual segundo turno. A renúncia, somada à queda nas intenções de voto, amplia a pressão sobre sua campanha.

Além do cenário eleitoral desfavorável, o discurso também dialoga com os desdobramentos da operação Erga Omnes. Deflagrada há quarenta dias, a investigação resultou na prisão de Anabela Cardoso Freitas, assessora pessoal de David Almeida, suspeita de envolvimento com o tráfico de drogas no Amazonas. Embora o ex-prefeito não tenha sido citado diretamente na operação, o episódio atingiu o núcleo mais próximo de sua gestão e alimentou críticas de adversários.

Nesse contexto, o tom adotado no discurso sugere uma tentativa de inversão de narrativa: de pressionado, David busca se apresentar como alguém que enfrenta ataques injustos e que está pronto para contra-atacar. Ao evocar a imagem de “David contra Golias”, tenta ocupar o papel de quem, mesmo em desvantagem, se coloca como capaz de enfrentar forças maiores.

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Foto: divulgação