PIB 2025: a “mágica” da recuperação argentina X a consistência brasileira

Enquanto argentinos reagem após recessão, economia brasileira mantém trajetória estável e acumula expansão nos últimos três anos.

Por Plínio César Coelho*

Publicado em: 23/03/2026 às 09:50 | Atualizado em: 23/03/2026 às 09:54

Os números de 2025 trazem um cenário curioso para a América Latina.

De um lado, a Argentina celebra um crescimento de 4,4%, um número que brilha nos relatórios internacionais.

Do outro, o Brasil apresenta um avanço de 2,3%, que parece mais modesto à primeira vista.

No entanto, ao mergulhar na base estatística dos últimos três anos, a realidade mostra que o Brasil manteve uma trajetória de enriquecimento, enquanto a Argentina ainda luta para sair de um buraco profundo.

A Ilusão do “efeito mola” na Argentina

O crescimento de 4,4% da Argentina em 2025 é o que economistas chamam de recuperação cíclica sobre base deprimida. Para entender esse salto, é preciso lembrar o que aconteceu antes:

  • Em 2023, a economia argentina já estava no vermelho (-1,6%).
  • Em 2024, o país mergulhou em uma recessão severa devido ao ajuste fiscal de choque, encolhendo cerca de 3,5%.

Na prática, os 4,4% de 2025 serviram, em grande parte, para “pagar a conta” do que foi perdido nos anos anteriores.

No acumulado de 2023 a 2025, a economia argentina terminou o período apenas 1,5% a 2% maior do que era em 2022.

É um movimento de queda e repique, onde o número alto de 2025 é apenas o reflexo de quão baixo o país chegou em 2024.

A consistência brasileira: crescer sobre o topo

O Brasil seguiu o caminho inverso: o da expansão linear. Diferentemente da Argentina, o Brasil não precisou encolher para depois saltar.

  • Em 2023, o Brasil cresceu sólidos 2,9%.
  • Em 2024, surpreendeu o mercado com uma alta de 3,3%.
  • Em 2025, manteve o ritmo com 2,3%.

O resultado acumulado é avassalador: o Brasil chega ao fim de 2025 cerca de 8,7% maior do que era em 2022.

Enquanto a Argentina usou 2025 para tentar voltar ao patamar de dois anos atrás, o Brasil passou os últimos três anos batendo recordes sucessivos de produção e massa salarial.

Quem está melhor?

Embora o 4,4% da Argentina seja uma vitória política para a estabilização de Javier Milei, o Brasil entrega um resultado econômico superior em termos de riqueza real.

  1. Riqueza nova: o crescimento brasileiro é “lucro líquido” sobre uma base que já era alta. O argentino é “recuperação de prejuízo”.
  2. Estabilidade: o Brasil cresce com inflação controlada (próxima a 4,5%), enquanto a Argentina, apesar da queda “mágica”, ainda convive com um custo de vida de 31,5% que castiga o consumo das famílias.

Conclusão

A “magia” dos números argentinos em 2025 não esconde o fato de que o país vive um processo de reabilitação.

O crescimento de 4,4% é o sinal de que a queda parou, mas a consistência brasileira de crescer ano após ano, sem recuos bruscos, mostra quem realmente expandiu sua economia e o poder de compra de sua população no triênio.

* O autor é economista, professor-adjunto da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), mestre em administração pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e doutorando em ciências empresariais e sociais na Universidad de Ciencias Empresariales y Sociales (Uces), Buenos Aires, Argentina.

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