Mateus Simões: um governador de Minas com o coração no Amazonas

Novo governador mineiro chama atenção por trajetória política e aproximação simbólica com a cultura amazonense.

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 23/03/2026 às 09:08 | Atualizado em: 23/03/2026 às 09:13

Minas Gerais (MG) amanheceu sob nova liderança. Neste domingo (22), Mateus Simões de Almeida (PSD) tomou posse como o novo governador do estado. Ele sucedeu Romeu Zema (Novo), que mira o Palácio do Planalto. Nos bastidores, cogita-se também que ele quer ser vice de Flávio Bolsonaro (PL).

Simões chega ao cargo com um toque de carisma pessoal que rompe as fronteiras das Alterosas e encontra eco nas águas do rio Amazonas.

Aos 44 anos, ele chega ao cargo mais alto do Executivo mineiro não por acaso, mas como resultado de uma trajetória técnica e política sólida. Professor de Direito, advogado e ex-vereador de Belo Horizonte, ele consolidou sua imagem como o braço direito de Zema durante o mandato como vice-governador.

Mateus Simões de Almeida virou o articulador político discreto, porém implacável, que Minas precisava.

O perfil do gestor: técnica e articulação

Nascido em Tocantins, Mateus Simões é conhecido por seu perfil intelectual e pela facilidade de diálogo. Diferente do estilo mais reservado de seu antecessor, o novo governador transita com desenvoltura entre diferentes setores da sociedade.

Sua ascensão ao governo é vista como a consolidação de um projeto que busca modernizar o estado, mas mantendo o equilíbrio fiscal como mantra.

A conexão amazônica: do Pará ao solo amazonense

Mateus Simões nasceu em Gurupi (TO) e cresceu política e profissionalmente em Minas Gerais, mas tem fortes laços familiares e políticos com o estado vizinho, o Pará. Nesse sentido, Simões busca estreitar sua relação com o norte do Brasil, especialmente com o Amazonas.

Essa aproximação não é apenas estratégica para o diálogo entre os estados brasileiros, mas revela um lado pessoal entusiasta da cultura amazônica.

Um episódio curioso de 2024, durante a campanha política em Blumenau (SC), ilustra bem essa faceta.

Ao ser apresentado ao jornalista amazonense Judson Lima, radicado no Sul, Simões não hesitou em quebrar o protocolo político. Ao saber da origem de Lima, a pergunta foi imediata e certeira, como um autêntico conhecedor das tradições do Baixo Amazonas:

“Qual é o seu boi?”

A indagação, típica de quem entende a alma do povo amazonense, pegou os presentes de surpresa. Diante da resposta de Judson, que se declarou torcedor do boi Caprichoso, Simões revelou sua faceta diplomática e cultural: declarou-se um “Garanchoso“.

O termo, uma brincadeira entre os apaixonados pelo Festival Folclórico de Parintins para designar quem transita entre o azul e o vermelho, foi usado por Simões para demonstrar que, além de entender de economia e direito, ele acompanha de perto o maior espetáculo folclórico do mundo.

Ao se dizer metade Garantido e metade Caprichoso, Mateus Simões sinaliza que o Amazonas não é apenas um ponto distante no mapa de Minas, mas uma referência cultural que ele faz questão de validar.

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Foto: divulgação