Localização e pista curta estão nas hipóteses do acidente fatal no aeroclube
Especialista aponta que tentativa de evitar áreas residenciais no entorno do aeródromo pode ter levado à manobra crítica que resultou no estol da aeronave.
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 23/03/2026 às 07:45 | Atualizado em: 23/03/2026 às 07:47
A tragédia que vitimou duas pessoas na queda de um monomotor no Aeroclube do Amazonas, em Manaus, traz novamente à tona um debate que há décadas divide opiniões entre autoridades, moradores e a comunidade aeronáutica: a viabilidade de um aeródromo operando no coração de uma área densamente povoada.
Piloto que trabalha no local analisou as imagens do acidente e conversou com exclusividade com o BNC Amazonas. Para ele, o desfecho fatal pode ter sido influenciado diretamente pelas limitações geográficas da pista e pela urbanização do entorno (Parque das Laranjeiras e União).
Segundo a análise técnica, o piloto da aeronave enfrentou o “dilema do sobrevivente” logo após a decolagem.
Manobra crítica: medo das casas
De acordo com ele, após uma perceptível falha de motor no momento da subida inicial, o piloto se viu sem áreas de escape. Diferente de aeroportos com amplas zonas de segurança, o Aeroclube de Manaus é cercado por residências.
“O piloto, com certeza, julgou que era melhor fazer a curva. Porque ele ia, com toda certeza, acertar as casas que estavam mais à frente ali no Parque das Laranjeiras”, explica o especialista.
Essa decisão, de tentar retornar à pista em vez de seguir em frente sobre as casas, é apontada como o estopim para o estol (perda de sustentação). Em baixa velocidade e com falha de motor, a inclinação excessiva da asa para fazer a curva impede que o avião se mantenha no ar, resultando em uma queda brusca e sem chances de recuperação em baixa altitude.
“Erro clássico” em pista curta
A análise destaca que o regresso imediato à pista após uma pane é considerado um “erro clássico” na aviação, mas que em Manaus ele é potencializado pela infraestrutura.
Pista curta: A extensão limitada reduz o tempo de reação do piloto.
Ausência de áreas de escape: Sem campos abertos à frente, o impacto contra obstáculos fixos (casas) torna-se a ameaça imediata.
Fator psicológico: O instinto de evitar uma tragédia ainda maior em solo (colisão com residências) força o piloto a manobras de alto risco.
Outras hipóteses
Embora o foco recaia sobre a geografia do aeródromo, o especialista também levantou a possibilidade de falha técnica primária. Ele citou desde panes mecânicas até a presença de água no combustível (falha na drenagem). Ele diz que esse fator causa a oscilação de potência ou interrupção total do motor. Em vídeos que circulam nas redes sociais, ele diz que é possível notar essa oscilação no comportamento do desempenho do monomotor.
O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) já iniciou a coleta de dados no local. Contudo, para a comunidade aérea, o acidente é mais um alerta de que o debate sobre a permanência do Aeroclube em sua localização atual não pode mais ser ignorado.
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Foto; reporodução/vídeo
