Copom reduz Selic para 14,75% em decisão unânime
A guerra no Oriente Médio (EUA/Israel/Irã) ditou o ritmo no corte que acaba de ser decidido.
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 18/03/2026 às 18:07 | Atualizado em: 18/03/2026 às 20:08
Em uma decisão que reflete o aumento da cautela no cenário global, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou, nesta quarta-feira, um corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros, a Selic. Com isso, os juros no Brasil passam de 15% para 14,75% ao ano.
A decisão se deu por unanimidade pelos membros do comitê. Dessa forma, confirmou-se a mudança de humor do mercado financeiro observada nos últimos dias. Embora o início do mês apontasse para um corte mais agressivo, de 0,50 ponto, o agravamento dos conflitos no Oriente Médio forçou o Banco Central a adotar uma postura mais conservadora.
A redução menor do que a esperada inicialmente não foi uma surpresa total para quem acompanha o Boletim Focus. Na última segunda-feira, analistas já haviam revisado suas projeções, reduzindo a aposta de corte pela metade devido à volatilidade internacional.
No comunicado que acompanhou a decisão, o Copom foi direto ao ponto: os impactos dos conflitos no Oriente Médio foram considerados de forma “prospectiva”. O BC está monitorando de perto:
- A desestruturação das cadeias de suprimentos globais.
- A pressão sobre os preços de commodities (como o petróleo), que impactam a inflação interna de forma direta.
Equilíbrio entre inflação e emprego
Mesmo com o corte mais tímido, o Banco Central afirmou que o novo patamar de 14,75% ainda é compatível com a estratégia de levar a inflação para a meta no “horizonte relevante”. O texto destaca que o objetivo principal permanece sendo a estabilidade de preços, mas que a decisão também visa:
- Suavizar as flutuações da atividade econômica.
- Fomentar o pleno emprego.
O fim do “maior nível em 20 anos”
A Selic a 15% representava o patamar mais alto das últimas duas décadas, um remédio amargo utilizado para conter a escalada inflacionária. A descida para 14,75% sinaliza o início de um ciclo de flexibilização, mas o “tom” do comunicado sugere que o Banco Central não terá pressa.
Se o cenário externo continuar pressionado pelos conflitos e pelo preço da energia, o ritmo de 0,25 ponto deve se tornar o novo padrão para as próximas reuniões, abandonando de vez as expectativas de cortes mais profundos no curto prazo.
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