Conta de luz no Amazonas pode ter alívio em 2026

Informação foi divulgada ontem pela Aneel; alívio se dá apesar de escalada nos subsídios e crise no setor em Roraima

Conta de luz no Amazonas pode ter alívio em 2026

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 18/03/2026 às 06:00 | Atualizado em: 18/03/2026 às 07:46

O cenário para a conta de luz do brasileiro em 2026 apresenta duas faces distintas. De um lado, a pressão dos subsídios que deve empurrar a tarifa média nacional para uma alta de 8%, o dobro da inflação prevista. De outro, um “balde de água fria” que pode virar alívio para os estados da área de atuação da Sudam, incluindo o Amazonas.

Segundo o primeiro boletim InfoTarifas do ano, divulgado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) nesta terça-feira, dia 17, os consumidores do Amazonas e de outros 20 estados das regiões Norte e Nordeste poderão ser beneficiados por descontos bilionários vindos da repactuação de contratos de geração de energia. Esse valor entra como Uso do Bem Público (UBP).

O fator Sudam: descontos de até 10,6% à vista

Diferente de 2025, quando a alta média nacional foi de 7%, o Amazonas entra em 2026 no radar da modicidade tarifária. De acordo com a Aneel, se todos os geradores de energia aderirem ao novo modelo de pagamento pelo uso do bem público, o impacto para os consumidores residenciais nas áreas da Sudam/Sudene pode ser uma redução média de 10,6%.

“Os recursos de UBP serão utilizados para compensar o peso dos encargos setoriais nessas regiões, o que pode reduzir o efeito médio Brasil de 8% para cerca de 5,1%”, destaca o boletim da Agência.

Histórico de reajustes – Amazonas/média nacional

O setor elétrico vem de uma sequência de altas que pressionam o orçamento das famílias amazonenses:
– 2023: Alta de 6,2%
– 2024: Estabilidade (0,5%)
– 2025: Alta de 7,0%
– 2026 (Projeção): 8% (Antes do desconto regionalizado)

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Alerta que vem do vizinho: Roraima sofre com alta de 23,2%

Se o Amazonas vislumbra um desconto, o estado vizinho, Roraima, vive uma realidade dramática. A Annel aprovou um reajuste médio de 23,2% para os consumidores roraimenses.

Mesmo após a interligação ao Sistema Interligado Nacional (SIN), o estado ainda sofre com o peso dos subsídios da Conta de Desenvolvimento Energético (CDE) e o custo de transição energética. A situação de Roraima serve de alerta para o custo operacional na Amazônia Ocidental. Na região, a logística de geração e transmissão permanece como um gargalo bilionário.

O vilão da vez: privatização e “conta de subsídios”

O principal motivo para a pressão nas tarifas em 2026 é a CDE, que deve custar R$ 52,7 bilhões aos brasileiros este ano. Esse montante financia desde programas sociais, como o “Luz do Povo” e a Tarifa Social (ampliada pelo governo federal), até subsídios para fontes renováveis.

Além disso, a privatização da Eletrobras (agora rebatizada como Axia) continua influenciando os preços. O fim gradual das “cotas” de energia barata das hidrelétricas, que deve chegar a 0% em 2027, obriga as distribuidoras, como a Amazonas Energia, a comprarem energia a preços de mercado, que costumam ser mais elevados.

Recomendação aos amazonenses

A Aneel deve finalizar nas próximas semanas a regra de rateio dos R$ 7,9 bilhões destinados aos descontos regionais. Para o consumidor do Amazonas, a recomendação é cautela: embora o desconto via Sudam seja uma promessa concreta, o baixo nível dos reservatórios na virada do ano pode manter as bandeiras tarifárias (amarela ou vermelha) ativas, o que encarece a conta mensal independentemente do reajuste anual.

Foto/imagem: GPT