Mobilização nacional do PT põe cotas e racismo religioso no centro do debate
Atos do dia 21 reúnem partidos e movimentos em defesa da igualdade racial e das tradições de matriz africana.
Adríssia Pinheiro, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 17/03/2026 às 11:06 | Atualizado em: 17/03/2026 às 21:08
A mobilização nacional contra o racismo marcada para o dia 21 de março deve levar militantes às ruas em todo o país, colocando no centro do debate a defesa das cotas raciais e o enfrentamento ao racismo religioso.
Articulado por secretarias de combate ao racismo de partidos como PT, MDB, PSB, PCdoB, PDT, PV, Rede, Solidariedade e Cidadania, o movimento busca ampliar o alcance da pauta racial e reforçar a organização popular.
Em Manaus, o ato simbólico será realizado na sede do Partido dos Trabalhadores, localizada na avenida Constantino Nery.
A data marca o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial e o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé, reunindo simbolicamente luta, memória e valorização cultural.
Segundo o secretário nacional de combate ao racismo do PT, Luiz Borges, a mobilização tem caráter amplo e ultrapassa disputas partidárias.
“É um movimento que independe de partidos, é algo em prol da melhoria e igualdade de direitos.”
Ele destaca que os atos ocorrerão em todo o território nacional, com mobilizações simultâneas.
No campo das políticas públicas, Borges reforça o papel das cotas como ferramenta de transformação social, ao defender que “cotas ajudam as minorias a acessar o campo intelectual.”
Ao contextualizar a mobilização, o secretário lembra que o Brasil foi o último país das Américas a abolir a escravidão, o que, segundo ele, ainda reflete nas desigualdades atuais.
“É uma oportunidade de resgatar a identidade dos povos pretos e indígenas e amenizar o que já foi humilhação e privação de direitos.”

Racismo religioso
Além da pauta educacional, o movimento também chama atenção para o combate ao racismo religioso e a necessidade de garantir respeito às tradições de matriz africana.
Para Borges, a mobilização tem também um caráter de alerta às instituições.
“É um recado para aqueles que querem destruir o pouco que já conseguimos reconstruir. Um recado aos governantes, ao Congresso: estamos de olho nisso.”
Esse recado surge como resposta a exemplos negativos que ocorrem no Brasil. Um caso citado por Borges foi a decisão do governador de Santa Catarina de sancionar uma lei que proibia cotas raciais e ações afirmativas em instituições de ensino superior públicas ou financiadas com recursos públicos. Para ele, foi uma sorte que a medida tenha sido suspensa pela Justiça.
A convocação orienta que a militância ocupe ruas, redes e territórios, ampliando o debate público e fortalecendo a luta por igualdade racial no país.
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Foto: divulgação
