Eleitores de Lula aprovam mais Wilson Lima do que bolsonaristas
Levantamento da Quaest expõe esse paradoxo político visto que lulistas avaliam melhor o governo do que os eleitores de direita
Antônio Paulo, da redação do BNC Amazonas
Publicado em: 16/03/2026 às 17:11 | Atualizado em: 16/03/2026 às 17:11
Uma pesquisa da Quaest divulgada no último sábado (14 de março) revela um paradoxo político no Amazonas: embora o governador Wilson Lima (União Brasil) tente se posicionar como aliado do bolsonarismo, são justamente os eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva que apresentam os índices mais altos de aprovação ao seu governo.
Os dados mostram que a base bolsonarista, com a qual o governador tenta se identificar politicamente, é, na verdade, a que mais rejeita sua gestão.
O contraste ajuda a explicar parte das dificuldades políticas de Wilson Lima dentro da direita amazonense e pode ter pesado na decisão de não disputar o Senado em 2026.
De acordo com o levantamento, a aprovação do governo estadual é significativamente maior entre eleitores que se identificam com Lula.
Entre esse grupo, 57% aprovam a gestão estadual, enquanto 40% desaprovam.
Já entre os eleitores que se declaram bolsonaristas, o cenário se inverte: apenas 32% aprovam o governo, enquanto 65% desaprovam.
Ou seja, o grupo político que Wilson Lima tenta representar é justamente o que demonstra maior rejeição ao seu governo.
Entre outros segmentos políticos, os números também indicam desaprovação predominante. Vejamos:
• Esquerda não lulista: 41% aprovam e 59% desaprovam
• Independentes: 38% aprovam e 55% desaprovam
• Direita não bolsonarista: 42% aprovam e 55% desaprovam

Avaliação pessoal e do governo
Quando a pergunta é especificamente sobre o desempenho de Wilson Lima como governador, a tendência se repete.
Entre eleitores lulistas: 59% aprovam o trabalho do governador e 37% desaprovam. Entre bolsonaristas, 37% aprovam e 59% desaprovam

Nos demais grupos políticos, também predomina avaliação negativa.
Quando a pesquisa pede uma avaliação geral do governo estadual, classificando como positivo, regular ou negativo, os números reforçam o mesmo padrão político.
Entre eleitores lulistas: 38% avaliam como positivo, 35% regular e 24% negativo
Já entre bolsonaristas: 16% positivo, 36% regular e 45% negativo.
Ou seja, a avaliação negativa entre bolsonaristas é quase três vezes maior do que a positiva.

Paradoxo político
O cenário revela uma dicotomia política. Nos últimos anos, Wilson Lima buscou se aproximar do bolsonarismo, participou de atos políticos na Avenida Paulista e manifestou apoio ao ex-presidente Jair Bolsonaro, inclusive criticando decisões judiciais contra ele.
Apesar disso, os dados da pesquisa sugerem que o governador não conseguiu conquistar o núcleo duro da direita no Amazonas.
Na prática, o resultado indica que o governador vive um desencaixe político: seu discurso se aproxima do bolsonarismo, mas sua aprovação é maior justamente entre eleitores que votaram em Lula.
Impacto eleitoral
Esse desalinhamento ajuda a explicar movimentos recentes da política amazonense.
Um deles é a decisão de Wilson Lima de não disputar uma vaga ao Senado em 2026, cenário em que dependeria fortemente do voto da direita.
Outro fator é a resistência do PL, partido de Bolsonaro no Amazonas, em aceitar qualquer aliança eleitoral com o governador.
A pesquisa indica, portanto, que o governador enfrenta um desafio: apesar de tentar vestir a camisa do bolsonarismo, ainda não conseguiu conquistar o que mais importa em política: o coração, a mente e o voto da direita organizada no estado.
Foto: reprodução/rede social
