Operação prende 10 policiais por morte de jovem em Manaus

Militares são investigados por homicídio e fraude processual em ação policial que terminou com a morte de um jovem em 2025.

Publicado em: 13/03/2026 às 13:38 | Atualizado em: 13/03/2026 às 13:45

Dez policiais militares foram presos preventivamente nesta sexta-feira (13) durante a operação Simulacrum, realizada pelo Ministério Público do Amazonas em Manaus.

Os militares são investigados pela morte de João Paulo Maciel dos Santos, de 19 anos, ocorrida em outubro de 2025 no bairro Vila da Prata, Zona Oeste da capital.

A investigação apura suspeitas de irregularidades em uma ação da Rondas Ostensivas Cândido Mariano (Rocam). O caso ganhou repercussão após a divulgação de imagens registradas durante a abordagem.

Entre os presos está o capitão Wilkens Diego Feitosa da Silva. Um dos mandados de prisão ainda não foi cumprido porque o policial investigado está fora do estado.

Ao todo, a Justiça autorizou 38 mandados, sendo 11 de prisão preventiva, 19 de busca e apreensão e oito medidas cautelares.

Denúncias

Segundo o Ministério Público, 19 policiais militares foram denunciados no processo.

As acusações incluem 11 denúncias por homicídio qualificado e 12 por fraude processual. Quatro investigados respondem pelos dois crimes.

Mandados de busca e apreensão também foram cumpridos em endereços ligados aos policiais investigados.

Versões divergentes

De acordo com a Rocam, a equipe foi ao local após denúncia de venda de drogas por criminosos armados. Os policiais afirmaram que foram recebidos a tiros durante a ação.

Moradores e testemunhas contestam essa versão.

Um vídeo gravado no local mostra um homem sendo abordado sem demonstrar reação. Em seguida, ele é levado para uma passagem lateral de uma residência e, pouco depois, policiais aparecem carregando o corpo.

Protesto após a morte

Um dia após o caso, familiares e moradores realizaram um protesto na Avenida Brasil, no bairro Compensa.

A mãe da vítima, Jeciara Maciel, participou da manifestação e cobrou responsabilização.

“Mataram meu filho, hoje o enterrei. Pegaram meu filho, ele já estava rendido. Levaram ele para baixo de uma casa. Executaram meu filho. Ele desceu com vida e voltou sem vida. Eu quero Justiça pela vida do meu filho”, disse.

O processo segue em tramitação na 1ª Vara do Tribunal do Júri da Capital.

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