Mobilização nacional na PF paralisa operações e serviços em 23 estados e no DF

Entidades de classe iniciam movimento "e-Pol Zero" e suspendem emissão de passaportes e vistorias; apenas casos urgentes serão atendidos pela corporação.

Mobilização nacional na PF paralisa operações e serviços em 23 estados e no DF

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 10/03/2026 às 06:34 | Atualizado em: 10/03/2026 às 06:34

Delegados e servidores da Polícia Federal iniciaram, nesta segunda-feira (9), uma mobilização de braços cruzados que promete travar as engrenagens da corporação em quase todo o território nacional.

O movimento atinge diretamente atividades operacionais e administrativas em 23 estados e no Distrito Federal, sinalizando uma crise de braço de ferro entre a categoria e a gestão pública.

De acordo com o edital enviado aos servidores, ao qual a reportagem teve acesso, a estratégia central do movimento foi batizada de “e-Pol Zero”. Como informa o Metrópoles.

A medida orienta que delegados suspendam o despacho de novos atos e inquéritos no sistema eletrônico da PF, criando um gargalo proposital no fluxo jurídico-policial.

Serviços sob suspensão

A mobilização não se limita aos bastidores burocráticos e já reflete no cotidiano da população e do setor privado. Confira as principais áreas afetadas:

  • – Passaportes: novos agendamentos estão suspensos. A emissão será restrita a casos de comprovada urgência, mediante apresentação de bilhetes aéreos. A entrega de documentos prontos segue com atendimento reduzido.
  • – Segurança privada: as Delegacias de Controle de Segurança Privada (Delesp) paralisaram atividades, afetando fiscalizações e autorizações para o setor.
  • – Controle de armas: processos de registro e fiscalização também sofrem interrupções.
  • – Operações policiais: a deflagração de novas ações de campo está comprometida, com exceção de situações emergenciais ou de flagrante.

União de categorias

O movimento demonstra força pela união de diversas frentes da instituição. A mobilização é encabeçada por um consórcio de entidades representativas:

  1. ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal);
  2. Fenadepol (Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal);
  3. Ansef (Associação Nacional dos Servidores da Polícia Federal);
  4. APCF (Associação Nacional dos Peritos Criminais Federais).

“A orientação é clara: apenas o que for estritamente urgente terá prosseguimento. O objetivo é demonstrar a essencialidade do trabalho da Polícia Federal diante da falta de valorização da categoria”, afirma um trecho do comunicado interno.

O que o cidadão deve saber

Para quem possui viagens marcadas ou processos em andamento, a orientação é buscar os canais oficiais da PF apenas em casos de extrema necessidade.

Assim, a corporação ainda não se manifestou oficialmente sobre a duração do movimento ou sobre possíveis mesas de negociação para encerrar a paralisação.

Portanto, a mobilização tem como principal objetivo pressionar o governo federal a enviar ao Congresso Nacional o projeto de lei que cria o Fundo de Combate ao Crime Organizado (FUNCOC).

Leia mais no Metrópoles.

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil