Indígena é sequestrado e torturado no rio Ituí, Vale do Javari

Na mesma região, o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips foram assassinados e enterrados a mando do narcotráfico

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Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 08/03/2026 às 06:21 | Atualizado em: 08/03/2026 às 06:45

Um indígena do povo marubo foi sequestrado, torturado e abandonado à deriva por pescadores ilegais dentro da Terra Indígena Vale do Javari. Esse território fica no alto rio Solimões, no Estado no Amazonas. O caso ocorreu no rio Ituí, área onde em junho de 2022 criminosos mataram o indigenista Bruno Pereira e o jornalista Dom Phillips.

Segundo denúncia divulgada na noite deste sábado, dia 7, pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), a vítima foi identificada como Mateus Aurélio. O ataque, conforme relatos da entidade, foi no dia 3 de março enquanto ele pescava para um grupo que retornava de Atalaia do Norte.

De acordo com a organização indígena, Mateus saiu em uma pequena canoa nas proximidades da Aldeia Beija-Flor, do povo Matis. Foi neste ponto, diz a Univaja, que ele foi cercado por pescadores ilegais não indígenas.

Os invasores acusaram o indígena de roubo materiais da quadrilha. Então, amarraram mãos, pés e boca de Mateus e o ameaçaram de morte. Em seguida, roubaram a espingarda e o celular da vítima e o deixaram à deriva no rio.

Ainda de acordo com a Univaja, Mateus permaneceu nessa condição por mais de 24 horas até ser localizado por equipes de busca no dia seguinte, por volta das 15h, ainda amarrado.

Vale do Javari/GPT

PF foi acionada, mas não teria efetivo para operação

A Univaja afirma que comunicou o caso às autoridades no dia 6 de março, após receber informações da sua Equipe de Vigilância (EVU). O registro foi encaminhado à Funai, Polícia Federal e Ministério Público Federal.

Segundo a entidade, havia indícios da presença dos criminosos na região até este sábado, dia 7. No entanto, a organização afirma que a delegacia da Polícia Federal em Tabatinga informou não possuir contingente suficiente para realizar operação no local, o que teria comprometido a identificação dos suspeitos.

Risco para povos isolados

A entidade indígena alerta que o ataque ocorreu em uma área considerada extremamente sensível do território. A região do alto rio Ituí abriga comunidades indígenas de contato recente e também áreas confirmadas de circulação de povos isolados.

Para a organização, a presença de grupos criminosos armados dentro da terra indígena representa risco de violência, epidemias e até extermínio de povos em isolamento voluntário. 

Cobrança por ações do Estado

A Univaja afirma que a situação evidencia falhas na proteção do território indígena e cobra a implementação das medidas previstas no Plano de Proteção do Vale do Javari.

A organização também declarou que está disposta a colaborar com as autoridades em ações de proteção territorial e segurança para os povos da região.

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Foto: divulgação