Operação mira corrupção sistêmica na Polícia Civil de SP e prende seis suspeitos

Entre os detidos estão três policiais civis e uma doleira; investigação aponta uso de delegacias como “balcão de negócios” para garantir impunidade

Operação mira corrupção sistêmica na Polícia Civil de SP e prende seis suspeitos

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 05/03/2026 às 07:39 | Atualizado em: 05/03/2026 às 07:39

Uma operação deflagrada nesta quinta-feira (5) pelo Ministério Público de São Paulo, em ação conjunta com a Polícia Federal e a Corregedoria Geral da Polícia Civil, prendeu ao menos seis pessoas suspeitas de integrar um esquema de corrupção sistêmica e lavagem de dinheiro instalado em setores estratégicos da Polícia Civil paulista.

Entre os presos estão três policiais civis, uma doleira e outros dois investigados apontados como participantes do esquema. A ofensiva ainda estava em andamento até a última atualização desta reportagem.

A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), órgão do Ministério Público especializado no enfrentamento ao crime organizado. A informação é do g1.

Segundo os promotores, há indícios de envolvimento de policiais, advogados e operadores financeiros em uma rede estruturada para negociar benefícios ilegais.

De acordo com decisão do juiz Paulo Fernando Deroma de Mello, o grupo teria transformado delegacias especializadas em um verdadeiro “centro de negociações”, onde investigações e procedimentos policiais eram manipulados para assegurar a impunidade de criminosos mediante pagamento de propina.

A Justiça autorizou prisões preventivas, cumprimento de mandados de busca e apreensão e o bloqueio de bens e valores dos investigados, como forma de interromper a suposta prática criminosa e preservar recursos que possam ter origem ilícita.

O Ministério Público sustenta que o esquema funcionava de forma organizada e contínua, com divisão de tarefas entre os integrantes, caracterizando corrupção sistêmica dentro da estrutura policial. As apurações seguem sob sigilo, e novas medidas não estão descartadas.

O esquema

  • – policiais pediam relatórios de inteligência financeira (RIFs) sobre potenciais alvos de cobrança de propina. A partir dos relatórios que recebiam, mandavam intimações e cobravam dinheiro para não dar andamento em investigações.
  • – doleiros que tomavam conhecimento de investigações ofereciam propina para que os trabalhos parassem. Foram identificadas destruição de provas, como trocas de HDs apreendidos por dispositivos vazios.

Sendo assim, em nota, a Secretaria da Segurança Pública informou que a Corregedoria da Polícia Civil participa da operação e que “a Polícia Civil não compactua com desvios de conduta por parte de seus integrantes e adotará todas as medidas legais e disciplinares cabíveis caso sejam confirmadas quaisquer irregularidades”.

Leia mais no g1.

Nota da PF

Nesta quinta-feira (5/3), a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em São Paulo (FICCO/SP), em ação coordenada com o Gaeco do Ministério Público do Estado de São Paulo e com o apoio da Corregedoria da Polícia Civil, deflagrou a Operação Bazaar, para aprofundar investigação sobre possível corrupção policial voltada à proteção de uma organização criminosa especializada em lavagem de capitais.

As apurações indicam que o grupo, formado por doleiros e por operadores financeiros, teria estruturado um esquema de pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos, além de empregar artifícios como fraude processual, manipulação de procedimentos investigativos e destruição de provas, visando assegurar a continuidade das atividades ilícitas.

A FICCO/SP é composta atualmente pela Polícia Federal, pela Secretaria de Administração Penitenciária do Estado de São Paulo, pela Secretaria Nacional de Políticas Penais e pela Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo.

Comunicação Social da Polícia Federal em São Paulo.

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Foto: divulgação/PF