Vorcaro lidera esquema bilionário e estrutura de intimidação, aponta ministro

André Mendonça nota risco à investigação e cita acesso indevido a sistemas sigilosos; caso pode envolver a maior fraude financeira da história do país

Vorcaro lidera esquema bilionário e estrutura de intimidação, aponta ministro

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 04/03/2026 às 13:05 | Atualizado em: 04/03/2026 às 13:05

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou a existência de uma estrutura organizada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para vigiar e intimidar pessoas consideradas contrárias aos interesses do grupo financeiro.

Dessa forma, Vrocaro foi preso na manhã desta quarta-feira (4) durante a terceira fase da operação Compliance Zero, cuja determinação foi dada por Mendonça.

Segundo o ministro, Vorcaro mantinha, com comparsas, um aparato voltado à vigilância e à intimidação de cidadãos, incluindo jornalistas e autoridades públicas.

Mendonça destacou ainda o “risco concreto de interferência” nas investigações, diante de indícios de que o grupo teria acessado sistemas sigilosos do Ministério Público e da Polícia Federal.

A decisão atendeu a pedido da Polícia Federal (PF) e marca a primeira medida tomada por Mendonça no caso, após assumir a relatoria em substituição ao ministro Dias Toffoli. Em novembro, Toffoli havia decretado a prisão do banqueiro, mas posteriormente substituiu a medida pelo uso de tornozeleira eletrônica.

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Relação com servidores do Banco Central

As investigações também apontam que Vorcaro mantinha interlocução próxima com dois servidores que ocupavam cargos estratégicos no Banco Central do Brasil (BC). De acordo com o ministro, eles atuavam como uma espécie de “empregado/consultor” do banqueiro, fornecendo informações privilegiadas.

São citados o ex-diretor de fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza, e o ex-servidor Belline Santana.

Possível maior fraude financeira do país

As apurações indicam que o caso envolvendo o Banco Master pode representar a maior fraude financeira já registrada no Brasil. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) estima que os ressarcimentos a clientes prejudicados devem ultrapassar R$ 50 bilhões.

O processo chegou ao STF em novembro, após surgirem indícios de envolvimento de autoridades com foro privilegiado. Até o momento, no entanto, não há investigados com foro no Supremo formalmente incluídos no caso.

Divergência com a PGR

A Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se contrariamente às medidas cautelares solicitadas pela PF em 27 de fevereiro.

O órgão afirmou não haver “indicação de perigo iminente” que justificasse a urgência das decisões e considerou impossível cumprir o prazo de 72 horas concedido por Mendonça para emissão de parecer.

Em resposta, o ministro lamentou a posição da PGR e defendeu a necessidade imediata das medidas. Segundo ele, a liberdade dos investigados comprometeria diretamente a efetividade das apurações e a confiança social na Justiça penal.

“A liberdade dos investigados compromete, assim, de modo direto, a efetividade da investigação e a confiança social na Justiça penal. Permitir que permaneçam em liberdade significa manter em funcionamento uma organização criminosa que já produziu danos bilionários à sociedade”, afirmou Mendonça na decisão.

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