‘Fico’ de Wilson Lima é gesto de grandeza, humildade e respeito, afirmam deputados

A Assembleia Legislativa repercutiu a decisão do governador de concluir o mandato, destacando a quebra de uma tradição política de 36 anos.

Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília

Publicado em: 03/03/2026 às 19:13 | Atualizado em: 03/03/2026 às 19:13

A Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (ALE-AM) foi palco, nesta terça-feira (3 de março de 2026), de manifestação de apoio político à decisão do governador Wilson Lima de permanecer no cargo até o fim de seu mandato, em 5 de janeiro de 2027.

O anúncio, que ficou conhecido nos bastidores como o “Dia do Fico”, marca a renúncia de Lima a uma candidatura quase certa ao Senado, nas eleições de 2026, para focar na continuidade da gestão estadual.

A secretária-geral da ALE, deputada Alessandra Campelo (Podemos), abriu os discursos na tribuna, classificando a atitude como um gesto de grandeza e desprendimento de toda e qualquer vaidade.

Campelo enfatizou que o governador priorizou um projeto coletivo em detrimento de ambições pessoais, visando evitar a descontinuidade de programas fundamentais para a população.

O pronunciamento da parlamentar gerou uma reação em cadeia na Casa, sendo aparteada por nove deputados, que se revezaram em elogios à maturidade política do chefe do Executivo.

Críticas a David Almeida

O tom mais ácido e político do debate veio com o deputado Mário César Filho (União Brasil).

Em um discurso contundente, o parlamentar traçou um paralelo entre a postura de Wilson Lima e a do prefeito de Manaus, David Almeida, adversário político do governador.

Enquanto Lima abriu mão de um direito político para honrar o mandato, Mário César criticou o que chamou de discurso prepotente e ataques infundados do gestor municipal.

“Ontem, nós tivemos uma aula de grandeza e de humildade e, acima de tudo, de respeito ao povo do Amazonas. Um gesto totalmente oposto, bem diferente do atual prefeito de Manaus, que fez um discurso prepotente, extrapolou todos os limites, com uma série de ataques infundados, sem provas, contra o Governo do Estado, o Judiciário e o Legislativo”, afirmou Mário César Filho, comparando as trajetórias e as decisões dos dois líderes.

O deputado ressaltou ainda que Wilson Lima manteve a palavra em causas sensíveis, como o atendimento a crianças autistas, enquanto o cenário municipal foi marcado, segundo ele, por uma postura que extrapolou todos os limites.

Quebra de paradigmas

Outro ponto de destaque foi levantado pelo deputado João Luiz (Republicanos). Ele observou que a decisão de Wilson Lima rompe uma tradição política de 36 anos no Amazonas, período em que governadores invariavelmente deixavam o cargo para disputar o Senado. Para o deputado, a permanência garante a entrega de obras estruturantes, como a AM-010 e o novo Hospital do Sangue (Hemoam).

A bancada governista reforçou que a decisão blinda o estado de incertezas administrativas. O deputado George Lins (União Brasil), por exemplo, destacou os avanços na saúde, como o programa “Opera Mais Amazonas” e a telemedicina, afirmando que o desprendimento de Lima não é poder pelo poder, mas uma missão de servir.

No mesmo sentido, o deputado Dr. Gomes pontuou que Lima demonstrou não ter apego a cargos, focando em concluir a verdadeira revolução iniciada na assistência pública.

Lealdade da Base

A base aliada também aproveitou o momento para exaltar a relação republicana entre os poderes. Deputados como Carlinhos Bessa (PV), Adjuto Afonso (União Brasil) e a Professora Jaqueline (União Brasil) lembraram que o governador foi o primeiro na história a cumprir rigorosamente o pagamento das emendas parlamentares, independentemente de coloração partidária.

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Encerrando as manifestações, o líder do governo, Felipe Souza (União Brasil), reafirmou que o grupo político sai fortalecido e unido para o pleito de 2026, com o apoio da maioria esmagadora da Casa Legislativa.

A tônica geral dos discursos na ALE-AM foi de que Wilson Lima, ao “ficar”, consolidou sua liderança e garantiu uma governabilidade estável para os próximos dois anos.

Foto: Ronaldo Siqueira/Especial para o BNC Amazonas