“O que o pobre vai fazer na comunidade com folga?”
O questionamento é do deputado Marcos Pereira, bispo da igreja Universal e presidente do Republicanos. E disse mais
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 26/02/2026 às 21:01 | Atualizado em: 26/02/2026 às 21:09
Em uma ofensiva direta contra a proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa extinguir a escala de trabalho 6×1, o deputado federal Marcos Pereira, presidente nacional do Republicanos, utilizou uma retórica de segregação e preconceito para justificar a manutenção da jornada exaustiva.
O parlamentar, que baseia sua trajetória política em valores cristãos e na defesa da família, subverteu esses mesmos princípios ao sugerir que o tempo livre do trabalhador brasileiro é, em si, um perigo social.
As frases que expõem o preconceito:
"Ócio demais faz mal. O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar."
A fala acima condensa a visão estigmatizada de Pereira: para ele, o cidadão de baixa renda não possui autonomia moral para gerir o próprio descanso.
Sob essa ótica, o trabalho de seis dias por semana funcionaria como uma “ferramenta de controle” social, impedindo que o pobre sucumba aos vícios por falta do que fazer.
"Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? O que ele vai fazer lá na folga?"
Ao proferir esse questionamento, o deputado desqualifica a vida social, cultural e familiar das periferias brasileiras.
Ignora que o tempo livre serve para o convívio com os filhos, o repouso físico e o exercício da própria fé que ele diz representar.
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O estranhamento político e religioso
O posicionamento de Pereira revela uma faceta cruel da política nacional: a utilização do manto religioso para validar a exploração laboral.
É um contrassenso teológico e humanitário que um homem público, conhecedor das Escrituras que pregam o descanso e a justiça social, trate o suor do trabalhador como uma mercadoria que não merece pausa.
Ao defender que o fim da escala 6×1 prejudica a economia, o deputado abandona as ovelhas de seu rebanho eleitoral para pastorear os interesses das grandes confederações patronais.
A “preocupação” com as drogas soa como uma cortina de fumaça conveniente para manter o setor de serviços e o comércio operando sob um regime que beira a exaustão física e mental.
Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados
