Ministro confronta OAB e ironiza Moro na defesa de Moraes e STF
Gilmar Mendes defende inquérito das fake news, critica mídia e reage a pressões pelo fim da investigação
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 26/02/2026 às 19:19 | Atualizado em: 26/02/2026 às 19:32
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), saiu em defesa do inquérito das fake news, conduzido pelo ministro Alexandre de Moraes, e reagiu às pressões para o encerramento da investigação, inclusive as formuladas pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Durante evento institucional do STF, Mendes afirmou que a abertura do inquérito, em 2019, foi “decisão difícil, mas necessária” para conter ataques à corte e à democracia.
“O que seria do Brasil não fora a instauração do inquérito das fake news?”, questionou o ministro.
A fala ocorre após manifestações públicas da OAB defendendo o encerramento da investigação, sob o argumento de que sua duração prolongada comprometeria a segurança jurídica.
Recado direto a Moro
No mesmo discurso, Mendes ironizou críticas vindas de setores que antes apoiaram a operação Lava Jato, numa referência ao hoje senador Sérgio Moro.
Sem citar nominalmente em todas as falas, o ministro deixou claro o alvo político ao mencionar a contradição de quem defendeu métodos expansivos de investigação no passado e agora questiona instrumentos semelhantes quando voltados à proteção institucional do Supremo.
A declaração amplia o embate histórico entre Mendes e Moro, protagonistas de posições opostas nos debates sobre os excessos da Lava Jato e seus desdobramentos judiciais.
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STF sob pressão
O inquérito das fake news foi instaurado para apurar ameaças, ataques virtuais e tentativas de desestabilização do STF. Desde então, tornou-se alvo de críticas de setores políticos e jurídicos que questionam seu alcance e duração.
Ao defendê-lo publicamente, Gilmar Mendes reforça a posição de que a investigação é instrumento de proteção institucional diante de ofensivas contra o Judiciário.
O discurso também representa resposta política à tentativa de enquadrar o inquérito como abuso de poder. Para o ministro, o risco maior estaria na omissão do Estado diante de campanhas organizadas de desinformação.
Embate institucional
A defesa enfática do inquérito recoloca o STF no centro do debate sobre liberdade de expressão, limites da crítica institucional e combate à desinformação.
De um lado, entidades como a OAB pedem o encerramento da investigação. De outro, ministros da corte sustentam que a medida foi essencial para preservar a estabilidade democrática.
O confronto não é apenas jurídico, é político. E, ao citar a Lava Jato e ironizar Moro, o ministro deixa claro que o embate ainda carrega as marcas de um passado recente que segue dividindo o país.
Foto: Rosinei Coutinho/STF
