Envolvidos na Erga Omnes vão entrar na mira da Polícia Federal e Receita
Deputado Amom Mandel pediu à PGR para ampliar investigação sobre infiltração do crime organizado na Prefeitura de Manaus e neutralizar narrativas de perseguição política
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 24/02/2026 às 21:03 | Atualizado em: 24/02/2026 às 23:13
A investigação que abalou as estruturas da Prefeitura de Manaus com a operação Erga Omnes pode ganhar um novo e mais rigoroso capítulo.
O deputado federal Amom Mandel (Cidadania-AM) oficializou, nesta terça-feira (24 de fevereiro), um pedido junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) do Ministério Público Federal para a federalização do caso.
O objetivo é transferir o inquérito para a competência da Polícia Federal (PF) e da Receita Federal, ampliando o rastreio de recursos ilícitos que teriam circulado em sete estados brasileiros.
A medida ocorre após a prisão de Anabela Cardoso de Freitas, servidora de extrema confiança do prefeito David Almeida, apontada como peça-chave no “núcleo político” da facção criminosa Comando Vermelho, que operava desde o poder municipal.
Enquanto o prefeito tenta classificar a ação da Polícia Civil como “perseguição política”, minimizando a gravidade do caso a narrativa comum em períodos pré-eleitorais, a entrada de órgãos federais no caso promete blindar as provas e aprofundar a investigação sobre a lavagem de dinheiro, corrupção e outros crimes.
Alvo na mira nacional
Para Amom Mandel, a complexidade do esquema, que envolve a movimentação de R$ 70 milhões e conexões transfronteiriças na tríplice fronteira, exige a estrutura de inteligência da PF.
"A Polícia Civil fez um trabalho corajoso, mas quando o crime organizado captura instituições e atravessa fronteiras estaduais, a resposta precisa ser federal. Não se trata de política, mas de segurança nacional"* , afirmou o parlamentar.
O rito federal
A federalização retira o caso da esfera estadual e o coloca sob o rito da Justiça federal.
Isso significa que a Receita Federal passará a cruzar dados fiscais de empresas de fachada que mantinham contratos com a Prefeitura de Manaus, dificultando qualquer tentativa de obstrução local.
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O “divisor de águas” jurídico
Diferentemente das alegações da gestão municipal, os indícios de infiltração na comissão de licitação sugerem que o grupo criminoso não operava à margem, mas por dentro da máquina pública.
Com o pedido enviado à PGR, o foco agora recai sobre a capacidade de rastreio da Polícia Federal em identificar os beneficiários finais do esquema.
A operação Erga Omnes (termo em latim que significa “vale para todos”) entra agora em uma fase de pressão máxima.
Se aceitada a federalização, o cerco sobre o núcleo político em Manaus deixará de ser uma questão paroquial para se tornar um dos principais focos de combate ao crime organizado no Brasil em 2026.
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