David Almeida tentou soltar acusada de envolvimento com tráfico que cuidava de sua agenda

Ela é a figura que goza de alta confiança do prefeito David Almeida, desde o primeiro 2017

David Almeida tentou soltar acusada de tráfico que cuidava de sua agenda

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 22/02/2026 às 10:36 | Atualizado em: 22/02/2026 às 13:28

Integrantes da alta cúpula do Judiciário do Amazonas relataram ao BNC Amazonas estranha movimentação do prefeito David Almeida (Avante) entre e sexta e sábado, ontem, dia 21 de fevereiro. A movimentação, segundo eles, foi além do trabalho técnico dos procuradores do município. Eles disseram que houve contato com dirigentes do TJ-AM (Tribunal de Justiça).

O foco de toda a articulação foi tentar soltar a investigadora Anabela Cardoso Freitas, presa na sexta-feira, 20, pela operação Erga Omnes, da Polícia Civil que prendeu o “núcleo político” da facção criminosa Comando Vermelho no Amazonas.

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Nesse núcleo estava Anabela, advogada e policial civil, figura que goza de alta confiança do prefeito David Almeida, desde o primeiro dia (1⁰ de fevereiro de 2017) que ascendeu a chefe do Legislativo estadual, como presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM).

David Almeida tinha tanta confiança em Anabela que a chamou para fazer parte de sua equipe de assessores como ex-governador do estado. Ele foi governador interino, com a cassação de José Melo, entre 9 de maio a 4 outubro de 2017.

Anabela é anteparo do prefeito

O político também colocou Anabela na comissão de licitação da Prefeitura de Manaus. Mas, sua posição principal no derredor do político era cuidar da agenda do prefeito e cumprir papel de anteparo do gestor. 

Essa posição de anteparo de Almeida, sem cargo formal, verificava-se nas reuniões que o prefeito mantinha em seu gabinete, na sede da prefeitura, ou no Centro de Cooperação da Cidade (CCC). Era quase sempre Anabela que estava à porta controlando o acesso e revistando as pessoas para que não entrassem com celulares ou outros instrumentos que pudessem gravar o chefe.

Qual seria a preocupação do prefeito?

Políticos que tiveram ligação com o prefeito sustentam que Anabela também cuidava da sua agenda extra. Eles falam também que, em momentos especiais, era ela que carregava a mala.

Então, diante disso, após a movimentação de Almeida, na cúpula do Judiciário, o que se ouvia ontem era que o prefeito pode estar se preocupando com uma possível delação de sua assessora, que ainda está nomeada para lhe auxiliar.

Do champanhe em St. Barth à mira da polícia

Há fatos que conectam o prefeito com os investigados. Por exemplo, Anabela não foi a única do núcleo político do Comando Vermelho presa na Erga Omnes a ter proximidades com o prefeito de Manaus.

Alcir Queiroga Teixeira Júnior, outro preso, é dono da AK Agência de Viagens e Operadora de Turismo Ltda., a Revoar Turismo.

Foi essa empresa que forneceu as passagens para o prefeito e sua mulher Izabelle Almeida passarem o carnaval de 2025 no Caribe.

O  caso virou escândalo após o vazamento de vídeos da primeira-dama comemorando seu aniversário no luxuoso Nikki Beach Saint Barth, regado a champanhe. 

A crise de imagem foi fulminante. Enquanto o casal desfrutava do Caribe ao lado de empresários com contratos milionários com a prefeitura, Manaus enfrentava um período de fortes chuvas, alagamentos, deslizamentos e morte.

Pressionado pelo desgaste político, Almeida adotou uma postura de controle de danos misturada com indignação.

Ele justificou que a viagem custou cerca de “R$ 18 mil” e foi paga integralmente com recursos próprios, defendendo seu direito ao descanso. 

O Ministério Público (MP-AM) e o Tribunal de Contas (TCE-AM) abriram investigações sobre possível custeio por fornecedores.

A ressaca atrasada do Caribe

Para complicar ainda mais a situação do casal Almeida, a ressaca atrasada dos champanhes das águas cristalinas de St. Maarten reapareceu no carnaval deste ano, com a operação Erga Omnes, à margem do rio Negro, onde fica o 24º DIP, que ataca o núcleo político do Comando Vermelho.

Isso porque Alcir Queiroga Júnior teve os sigilos bancário e fiscal quebrados. As investigações indicam movimentações financeiras atípicas, que somam cerca de R$ 2 milhões.

Há informações nos bastidores da operação de que ele está colaborando com as investigações.

O detalhe mais intrigante disso tudo: parte desses valores teria sido transferida por Anabela, a assessora que o prefeito tentou evitar que caísse na penitenciária.

Fotomontagem: BNC Amazonas