Servidores públicos e advogadas atuavam pelo crime organizado no Amazonas

Operação revela infiltração do Comando Vermelho nos três poderes e esquema de vazamento de informações sigilosas mediante pagamento de propina

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 20/02/2026 às 09:35 | Atualizado em: 20/02/2026 às 09:35

A Polícia Civil do Amazonas deflagrou, nesta sexta-feira (20 de fevereiro), a operação Erga Omnes para desarticular um núcleo político que atuava em favor do Comando Vermelho dentro da estrutura do Estado.

Segundo as investigações, servidores públicos do Executivo, Legislativo e Judiciário, além de advogadas, integravam o esquema, que movimentou cerca de R$ 70 milhões em sete anos.

De acordo com o delegado Marcelo Martins, titular do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), as apurações, intensificadas a partir de agosto de 2025, revelaram a presença do grupo dentro da estrutura estatal.

“Pudemos descobrir que o tráfico de drogas tinha tentáculos dentro da administração pública, tendo como parceiros do crime vários servidores públicos”.

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Infiltração nos três poderes

No Executivo municipal, foi presa Anabela Cardoso Freitas, integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus. Ela teria movimentado R$ 1,5 milhão para a facção por meio de empresas de fachada.

“Ela aparece no relatório do Coaf como a principal pessoa a transacionar valores com o chefe da organização”, disse o delegado.

No Legislativo, foram presos ex-assessores de três vereadores de Manaus; no Judiciário, um servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas é suspeito de repassar informações de processos que tramitavam em segredo de Justiça.

Segundo Martins, o servidor vazava dados a advogadas ligadas ao grupo criminoso, mediante pagamento de propina.

“O objetivo era dar auxílio ao crime organizado para que as suas ações criminosas não pudessem ser freadas pela polícia”.

Advogadas e estrutura financeira

Duas advogadas foram presas sob a suspeita de intermediar o acesso a informações sigilosas e repassar recursos ao grupo.

As investigações apontam que o líder do grupo, Allan Kleber, utilizava empresas fantasmas para operacionalizar o fluxo financeiro. Ele não foi localizado durante diligência em São Paulo, mas a esposa foi presa.

Mandados foram cumpridos no Amazonas e nos estados do Pará, Minas Gerais, Ceará, Piauí e Maranhão. As investigações continuam para identificar outros envolvidos.

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Foto: BNC Amazonas