ZFM, por Serafim Corrêa, resiste a novo ataque das bandas do Sul
Secretário do Amazonas reage a críticas sulistas e reafirma o papel ambiental e econômico do polo industrial de Manaus
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 19/02/2026 às 12:54 | Atualizado em: 19/02/2026 às 12:54
O modelo Zona Franca de Manaus (ZFM) volta a ser alvo de ataques por parte de político do sul do país, que rotula os incentivos fiscais da região como “privilégios”.
A ofensiva ignora que o modelo é a única política de desenvolvimento regional do governo federal capaz de aliar alta produtividade industrial à preservação de mais de 90% da floresta amazônica no Amazonas, pelo menos.
Em resposta à nova onda de críticas, o secretário de estado de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), Serafim Corrêa, marcou posição em defesa da ZFM.
Para o Governo do Amazonas, os ataques frequentes são fruto de uma visão distorcida que ignora as disparidades logísticas do norte do Brasil.
Enquanto as regiões Sul e Sudeste concentram as maiores fatias de renúncia tributária do país, políticos dessas regiões insistem em questionar o modelo que garante a sobrevivência digna de milhões de brasileiros sem a necessidade de avançar sobre a floresta.
Fato x Narrativa: onde está o benefício?
Diferentemente do que propaga o discurso sulista, a ZFM não é o maior dreno de impostos do país. De acordo com dados do gasto tributário federal, o Amazonas representa uma fração menor do que as regiões que mais atacam o modelo.
Veja o comparativo:
| Região | Participação na renúncia fiscal federal (%) | Perfil do benefício |
|---|---|---|
| Sudeste | ~50% | Desonerações de folha, agronegócio e setor de serviços. |
| Sul | ~18% | Incentivos ao setor industrial e agropecuário. |
| Norte (ZFM) | ~8% | Modelo de substituição de importações e preservação ambiental. |
Fonte: Estimativas baseadas em dados da Receita Federal / Sedecti.
A resposta da resistência
Serafim Corrêa foi enfático ao rebater a ideia de que o Amazonas vive sob subsídios injustos.
Abaixo, o posicionamento do secretário:
“Meu caro deputado, o senhor está completamente enganado. A zona franca foi e sempre será do Brasil. Por favor, me responda só duas perguntinhas. A primeira, quem são os beneficiários dos incentivos fiscais da zona franca de Manaus? São os consumidores. E onde moram os consumidores dos produtos da zona franca de Manaus? Moram no Brasil. Portanto, caro deputado, a Zona Franca de Manaus é do Brasil. É tão difícil entender isso? Pare de falar besteira”.
O ataque do bolsonarista Gilson Marques (NOVO-SC):
“Eu não acho normal isenção. O benefício é fiscal, por mim pode acabar com todos. Inclusive Zona Franca de Manaus, poderia ter Zona Franca do Brasil inteiro. Fica aí a sugestão”.
O custo da floresta em pé
O embate ocorre em um momento em que a ZFM busca segurança jurídica nas discussões da reforma tributária.
O polo industrial de Manaus emprega hoje mais de 115 mil trabalhadores diretos, gerando uma arrecadação federal que, em grande parte, retorna para sustentar políticas públicas em todo o país.
Foto: reprodução/vídeo
