Tapajós, Madeira e Tocantins, rios da cobiça do agro
Artigo de Frei Betto analisa tentativa de concessão e dragagem de hidrovias na Amazônia e alerta para riscos sociais e ambientais
Aguinaldo Rodrigues, especial para o BNC Amazonas
Publicado em: 19/02/2026 às 11:35 | Atualizado em: 19/02/2026 às 11:35
A proposta de transformar rios estratégicos da Amazônia em corredores logísticos para o escoamento de grãos reacendeu o debate sobre soberania, direitos indígenas e impactos ambientais na região Norte.
Em artigo publicado recentemente no portal do ICL Noticias, o teólogo e escritor Frei Betto critica o que chama de tentativa de “privatização” dos rios Tapajós, Madeira e Tocantins, por meio de concessões à iniciativa privada e obras de dragagem para ampliar a navegação de grandes embarcações.
Segundo o autor, a iniciativa, articulada entre setores do agronegócio e áreas do governo federal, buscava reduzir custos logísticos do complexo soja-milho do Centro-Oeste, direcionando a produção para portos do Norte.

Impactos ambientais e sociais
Para isso, seria necessária dragagem contínua e aprofundamento do leito dos rios, com potenciais impactos sobre a biodiversidade e comunidades ribeirinhas e indígenas.
No caso do Tapajós, a licitação para dragagem, estimada em R$ 61,8 milhões, foi suspensa após pressão de povos originários e atuação do Ministério Público Federal.
Órgãos ambientais como ICMBio e Ibama apontaram riscos ambientais relevantes.
O governo federal declarou que nenhuma medida avançará sem consulta às comunidades afetadas, conforme determina a convenção 169 da OIT e o artigo 231 da Constituição.
Frei Betto sustenta que a transformação dos rios em hidrovias concedidas poderia socializar riscos e conflitos ao Estado, enquanto a gestão e os lucros ficariam com o setor privado.
Para ele, os impactos incluem alteração de ecossistemas, prejuízo à pesca tradicional, risco de contaminação e aumento de conflitos territoriais.
O artigo argumenta que a disputa ultrapassa a logística e envolve o modelo de desenvolvimento para a Amazônia: se os rios serão tratados como “estradas líquidas” para commodities ou como patrimônios vivos, fundamentais à diversidade ambiental e cultural do país.
Leia o artigo na íntegra no portal do ICL Noticias.
Foto: Dnit/ Divulgação
