Fundo do Amapá aplicou R$ 650 milhões nos suspeitos BRB e Master
Amprev investiu R$ 250 milhões no BRB, sob gestão de Ibaneis, e R$ 400 milhões no Master; presidente indicado por Alcolumbre renuncia após ação da PF
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 11/02/2026 às 21:27 | Atualizado em: 11/02/2026 às 21:49
A Amapá Previdência (Amprev), responsável pelas aposentadorias dos servidores estaduais, expôs R$ 650 milhões do fundo a dois bancos que se tornaram foco de crise e investigação.
O caso envolve aplicações no Banco de Brasília (BRB), controlado pelo Governo do Distrito Federal, sob gestão de Ibaneis Rocha, e no banco Master, posteriormente liquidado pelo Banco Central.
Em fevereiro do ano passado, a Amprev comprou R$ 250 milhões em letras financeiras do BRB no mercado secundário.
A operação contraria norma do Conselho Monetário Nacional que proíbe regimes próprios de previdência social de investir em bancos estaduais ou distritais.
Os papéis, com vencimento em dez anos e rentabilidade de 115% do CDI, não contam com garantia do Fundo Garantidor de Crédito.
Após perceber a irregularidade, o comitê de investimentos tentou se desfazer dos ativos, sem sucesso.
A crise envolvendo o banco desvalorizou os títulos, o que exigiria prejuízo para vendê-los agora.
Exposição ao Master
Antes disso, o fundo já havia aplicado R$ 400 milhões no banco Master, valor equivalente a quase 5% da carteira.
A instituição entrou em colapso e passou a ser investigada por operações consideradas irregulares.
A Polícia Federal deflagrou a operação Zona Cinzenta para apurar possíveis crimes de gestão temerária e fraudulenta na condução dos investimentos da autarquia.
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Indicação política e renúncia
O presidente da Amprev, Jocildo Lemes, pediu demissão nesta quarta-feira após se tornar alvo da investigação.
Ele foi indicado ao cargo pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil), de quem foi tesoureiro de campanha.
Alcolumbre nega interferência nas decisões do fundo.
Ainda assim, o caso expõe a combinação delicada entre indicação política e decisões financeiras de alto risco, com impacto direto sobre o patrimônio previdenciário dos servidores do Amapá.
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