David Almeida repete negação eleitoral e reacende desconfiança em 2026
Prefeito minimiza anúncio de candidatura feito pelo PDT e reedita estratégia usada após ter apoio à sua reeleição
Da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 09/02/2026 às 14:02 | Atualizado em: 09/02/2026 às 14:02
O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), voltou a negar publicamente neste dia 9 de fevereiro qualquer intenção de disputar o Governo do Amazonas em 2026, mesmo após ter seu nome lançado pelo presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, durante a posse do diretório estadual do partido, na última sexta-feira.
A reação ocorreu nesta segunda-feira, na chegada à abertura do ano legislativo, e repete um padrão já conhecido no tabuleiro político amazonense.
Questionado sobre a fala de Lupi, o prefeito afirmou que não há trabalho, planejamento ou montagem de equipe voltados à disputa ao governo, sustentando que o foco estaria na consolidação do Avante em Manaus.
Negação recorrente e memória recente
O discurso cauteloso, no entanto, encontra resistência nos fatos recentes.
Desde que foi reeleito em 2024 com apoio decisivo do grupo político liderado pelos senadores Omar Aziz (PSD) e Eduardo Braga (MDB), Almeida passou a negar reiteradamente qualquer projeto estadual, ao mesmo tempo em que fazia gestos públicos e privados de alinhamento para a eleição de 2026.
Esses gestos incluíram sinalizações de apoio ao grupo que o sustentou politicamente na capital, compromisso que, na prática, não se consolidou.
A sequência de negativas públicas, contrastando com movimentos de bastidor, alimentou a leitura de que o prefeito adota a estratégia de negar para ganhar tempo e preservar margem de negociação.
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Racha com Aziz e disputa interna
Nos bastidores da política, a relação entre Almeida e Aziz passou a ser tratada como rompida.
Interlocutores do meio político atribuem o desgaste ao impasse em torno da formação da chapa majoritária de 2026.
O ponto de atrito teria sido a recusa do grupo liderado por Aziz em aceitar o nome da filha do prefeito, Aryel Almeida, como candidata a vice-governadora.
A negativa teria sido interpretada por Almeida como veto político direto ao seu projeto familiar e partidário, acelerando o afastamento e encerrando, na prática, a aliança construída na eleição municipal.
Sinais contraditórios
Na entrevista, o prefeito tentou deslocar o foco ao confirmar que Aryel será candidata a deputada federal pelo Avante, além de citar a chegada de novos aliados à legenda.
Ao mesmo tempo, evitou fechar portas ao agradecer publicamente a lembrança de Lupi e afirmar que “as conversas vão ir indo”, mantendo o cenário em aberto.
Questionado sobre uma eventual candidatura do vice-governador Tadeu de Souza, David Almeida foi ainda mais explícito na ambiguidade.
Disse não ter tratado do assunto, mas afirmou que “aonde ele estiver eu vou estar”, sinalizando alinhamento pessoal sem compromisso institucional definido.
Negar para negociar
O contraste entre o anúncio feito por uma liderança nacional do PDT e a resposta evasiva do prefeito reforça a percepção de que a negativa pública faz parte de uma tática política recorrente.
Desde 2024, Almeida repete o gesto de afastar-se do debate eleitoral enquanto reposiciona alianças e recalcula seu espaço no cenário estadual.
No contexto da eleição deste ano, a insistência na negação já não soa como cautela administrativa, mas como movimento calculado de quem evita assumir compromissos definitivos enquanto o tabuleiro ainda está em disputa.
Foto: BNC Amazonas
