Pirarucu amazonense amacia jantar de Lula com a cúpula da Câmara
O presidente Lula da Silva recebeu o presidente da Câmara, Hugo Motta e os líderes partidários para uma confraternização estratégica
Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 05/02/2026 às 07:10 | Atualizado em: 05/02/2026 às 07:13
Enquanto os termômetros da política em Brasília mediam a temperatura da relação entre o Executivo e o Legislativo, o verdadeiro calor da noite de ontem (4), na Granja do Torto, saiu das águas dos lagos do Amazonas. O presidente Lula da Silva recebeu o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e os líderes partidários para uma confraternização estratégica, mas quem roubou a cena não foi a pauta da PEC da Segurança ou o fim da escala 6×1, mas, sim, o anfitrião do prato principal: o pirarucu.
Num gesto que a diplomacia gastronômica entende bem, Lula serviu aos deputados o que o Amazonas tem de melhor. O “bacalhau da Amazônia”, como é conhecido lá fora, foi o trunfo para quebrar o gelo e “amaciar” as conversas difíceis do início do ano legislativo.
O sabor do manejo sustentável no centro do poder
Para o público amazonense, ver o nosso gigante das águas doces no centro da mesa presidencial é mais do que uma curiosidade culinária; é um aceno econômico e ambiental.
O Amazonas é, hoje, um dos principais produtores nacionais da espécie, resultado não apenas da pesca, mas principalmente de cardumes de projetos de manejo e da dedicação de criadores e comunidades ribeirinhas que transformaram a preservação da espécie em modelo de negócio sustentável.
Segundo os presentes, o peixe foi à mesa com arroz, farofa, pirão e salada. O clima, descrito como “descontraído e informal”, foi embalado por músicas na caixa de som, incluindo “Disparada” e “Pra não dizer que não falei das flores”. Ambas as canções são composições de Geraldo Vandré.
Mas a “disparada” que interessou ao Amazonas foi a da valorização do produto regional.
Política com tempero do Norte
A escolha do cardápio não é mero detalhe. Ao colocar o pirarucu no prato de líderes como Hugo Motta, Gleisi Hoffmann e José Guimarães, o Planalto indiretamente valida a cadeia produtiva que sustenta municípios inteiros no interior do Amazonas, de Mamirauá aos criatórios em tanque do Rio Preto da Eva.
O jantar serviu para Lula tentar alinhar os ponteiros com a Câmara, discutindo pautas prioritárias de forma reservada. Se a “pacificação” política desejada pelo governo vai se concretizar, só as próximas votações dirão. Mas uma coisa é certa: os líderes voltaram para casa sabendo que, quando o assunto é sabor e imponência, o Amazonas tem a presidência absoluta.
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Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
