Ano legislativo do Amazonas tem clima de despedida e disputa pela sucessão
Eleição, balanço de gestão e reaproximação de Wilson Lima com o vice marcam a abertura dos trabalhos.
Adríssia Pinheiro, da Redação do BNC Amazonas
Publicado em: 02/02/2026 às 13:40 | Atualizado em: 02/02/2026 às 13:49
Na abertura do ano legislativo, nesta terça-feira (3 de fevereiro), o governador Wilson Lima sobe à tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) para um discurso de forte simbolismo político.
Após sete anos no comando do estado, Lima apresenta sua última mensagem anual ao Legislativo em clima de despedida. Mais que um balanço, a expectativa é que o governador deva fazer uma fala se despedindo de dois mandatos consecutivos, desde 2019.
O cenário reforça esse peso. Lima deixa ao sucessor, Tadeu de Souza (Avante), um estado com fôlego fiscal maior do que o recebido no início da gestão.
Cofre reforçado
O orçamento deste último ano de mandato, aprovado por unanimidade em dezembro de 2025, alcança R$ 38,2 bilhões. O valor representa aumento de 20,9% em relação a 2025, quando a disponibilidade era de R$ 31,4 bilhões.
Em 2019, ao assumir após Amazonino Mendes, Lima encontrou um orçamento de cerca de R$ 19,9 bilhões. Hoje, portanto, sete anos depois, o estado opera com quase o dobro daquele volume.
Legado de dois mandatos
Na retrospectiva, o governador também deve destacar a relação estável com a ALE-AM. Isso permitiu ao governo ter aprovados projetos sem resistência significativa, sempre respaldado por uma base aliada fiel.
A votação unânime da lei orçamentária de 2026 simboliza esse alinhamento, com protagonismo do presidente da casa, Roberto Cidade, do mesmo partido do governador.
Eleição e transição
Mas, a mensagem vai além do relatório administrativo. Ela ocorre no momento em que a transição política já começa a ganhar forma.
Nos últimos dias, Lima e seu vice voltaram a dividir agendas públicas após quase dois anos de distanciamento. Estiveram juntos no anúncio de R$ 81 milhões para ciência e tecnologia, na Fapeam, e na formatura de 557 alunos da fundação Matias Machline.
Os gestos chamaram atenção. Conversas ao pé do ouvido, elogios públicos e fotos conjuntas sinalizaram reaproximação. Nos discursos, o governador ressaltou ações conduzidas pelo vice no interior, enquanto Souza agradeceu o apoio do governador.
Esse movimento reforça rumores antigos nos bastidores: a possibilidade de renúncia de Lima no início de abril para disputar uma das duas vagas no Senado.
Caso isso ocorra, Souza assume o governo em pleno ano eleitoral.
Com o cargo nas mãos, o vice tem opções de concluir o mandato de Lima ou tentar conquistar mandato próprio, o que é pouco provável, segundo avaliam os observadores da política.
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Foto: Diego Peres/Secom
