O Globo aponta Silas Câmara envolvido no escândalo do INSS

Documentos revelam que o deputado intermediou acordo com entidade sob suspeita de fraude, enquanto empresas de seus familiares receberam R$ 1,8 milhão em contratos

Silas Câmara é acusado de tentar destruir modelo de internet no país

Da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 02/02/2026 às 12:01 | Atualizado em: 02/02/2026 às 13:50

O deputado federal Silas Câmara (Republicanos-AM) está no centro das investigações da CPI do INSS, segundo o jornal O Globo.

Documentos apontam que ele intermediou um acordo entre o órgão e a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e Aquicultura (CBPA), entidade acusada de fraudar descontos em benefícios previdenciários, enquanto empresas ligadas a seus familiares receberam R$ 1,8 milhão.

Entre março de 2023 e abril de 2025, o INSS repassou R$ 221 milhões à CBPA. Parte desse dinheiro foi destinada a empresas familiares: R$ 1 milhão para a Network Filmes, da cunhada do filho de Silas; R$ 800 mil para a Conektah Estratégias Digitais; e valores menores para a Network Multimídia e a Rádio Morena FM, administradas por outros parentes.

A Controladoria-Geral da União (CGU) constatou que nenhum associado da CBPA havia autorizado os descontos em suas aposentadorias. Câmara acompanhou o presidente da CBPA, Abraão Lincoln, em reuniões na cúpula do INSS para formalizar o protocolo de intenções. Na ocasião, ele afirmou:

“O acordo de cooperação técnica com o INSS trará um novo momento para mais de 1 milhão de pescadores e pescadoras artesanais do país”.

A atuação do deputado recebeu críticas de sua ex-mulher, a deputada Antonia Lucia (Republicanos-AC), que afirmou que ele “gastou o dinheiro da farra dos pescadores por meios ilícitos”. Ela também ressaltou que a filha do casal, Milena Ramos Câmara, foi contratada pela CBPA para atuar no setor jurídico.

Em nota enviada à CPI, a defesa de Silas Câmara negou irregularidades e afirmou que “não há qualquer base fática ou indício mínimo que permita cogitar” uso irregular das empresas, destacando que a relação familiar não configura, por si só, ilegalidade nos contratos firmados.

Saiba mais na reportagem de Bernardo Mello em O Globo.

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Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados