Após Trump, migração venezuelana na fronteira reduz em mais de 50%
Em 2026, foram registradas 1.014 entradas de cidadãos do país vizinho por Pacaraima, enquanto em 2025 foram 2.121 pessoas cruzando a fronteira pela cidade.
Iram Alfaia, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 30/01/2026 às 09:20 | Atualizado em: 30/01/2026 às 10:09
Após a invasão ordenada pelo presidente norte-americano Donald Trump, os venezuelanos vivem um momento de incerteza do que vai acontecer no país, dúvida que tem refletido no fluxo migratório na fronteira entre o Brasil e a Venezuela.
Dados divulgados pelo monitoramento da Operação Acolhida, do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, revelam que nos 13 primeiros dias deste mês a queda no fluxo migratório foi superior a 50%.
Em 2026, nos primeiros 13 dias de janeiro foram registradas 1.014 entradas de cidadãos do país vizinho por Pacaraima, enquanto em 2025, no mesmo período, foram 2.121 pessoas cruzando a fronteira pela cidade. Em 2024, o número ficou em 2.161.
Dados da Polícia Federal (PF) apontam que entre 2018 e dezembro de 2025, 1,4 milhão de venezuelanos migraram para o Brasil, sendo que mais de 654 mil saíram do país e cerca de 743 mil permaneceram no território brasileiro.
“Estamos acompanhando, desde o início dos momentos de tensão dos Estados Unidos com a Venezuela, e o cenário é de normalidade, tanto no fluxo migratório da Venezuela para o Brasil, como do Brasil para a Venezuela”, avalia o ministro Wellington Dias, que esteve neste mês em Boa Vista (RR).
“A gente tem percebido e dialogando até com pessoas da equipe que são venezuelanas e as próprias pessoas participantes do projeto, que muitas pessoas estão na Venezuela tentando entender o que vai acontecer e quais vão ser os próximos passos”, diz ao InfoAmazonia Giovanna Kanas, assessora nacional da Cáritas Brasileira.
A organização atua em Pacaraima e em Boa Vista com a distribuição de refeições e serviços de água, saneamento e higiene para a população em situação de rua.
“Então, talvez o movimento para o Brasil passe a ser progressivo a partir da avaliação das pessoas que estão na Venezuela de como vai ser esse novo cenário”, prossegue.
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Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
