Caiado troca União Brasil de Wilson Lima pelo PSD de Omar Aziz

Mudança de partido do governador goiano visa as eleições presidenciais e envolve as legendas de Wilson Lima. Mas o cenário local segue lógica própria.

Eduardo Leite, Caiado e Ratinho Junior

Neuton Corrêa, do BNC Amazonas

Publicado em: 28/01/2026 às 07:43 | Atualizado em: 28/01/2026 às 08:12

Uma movimentação partidária no tabuleiro dos presidenciáveis agitou os bastidores da política nacional ontem à noite. A articulação, inevitavelmente, reverbera no cenário político do Amazonas. 

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, oficializou sua saída do União Brasil. No Amazonas, a legenda está sob presidência do governador do Amazonas, Wilson Lima. Caiado disse que vai ingressar nas fileiras do Partido Social Democrático (PSD). Regionalmente, é legenda comandada pelo senador Omar Aziz.

A troca de partido não é apenas uma dança das cadeiras partidária. Ela desenha o xadrez para a disputa presidencial deste ano. Caiado, que não esconde o desejo de disputar o Palácio do Planalto, encontrou no PSD de Gilberto Kassab e Omar Aziz a estrutura e a capilaridade necessárias para viabilizar uma candidatura nacional, ainda que, internamente, tenha que se entender com os colegas governadores Eduardo Leite (RS) e Ratinho Júnior (PR), que também querem ser presidentes. No entanto, de partida Caiado tira da frente a resistência que vinha encontrando barreiras internas dentro do União Brasil.

O envolvimento das lideranças amazonenses

A manobra coloca dois dos principais protagonistas da política amazonense em lados opostos de uma mesma notícia, embora não necessariamente em lados opostos de um confronto local.

Wilson Lima (União Brasil) 

O governador do Amazonas perde um correligionário de peso. A saída de Caiado enfraquece a ala “ideológica” do União Brasil, mas não abala a liderança de Wilson no comando da sigla no estado. Lima segue com o controle da máquina partidária local e com seus próprios planos de sucessão e candidatura ao Senado.

Omar Aziz (PSD)

O senador ganha um “inquilino” de luxo em sua legenda. Como um dos caciques nacionais do PSD, Omar Aziz terá papel fundamental na construção (ou na filtragem) da candidatura de Caiado. Este pode servir a Omar como um interlocutor entre os interesses do Norte e a agenda do goiano.

Com Caiado, Omar pode fazer acesso à ala conservadora que resiste ao seu nome. Contudo, não pode escancarar uma janela, porque sua relação com a esquerda e Lula é estreita.

Impacto reduzido no cenário local

Apesar do barulho em Brasília, a leitura de bastidores é que a ida de Caiado para o partido de Omar e a saída do partido de Wilson dificilmente alterará a correlação de forças nas eleições estaduais do Amazonas deste ano.

O raciocínio se baseia em três pontos fundamentais.

Disputa Nacional x Realidade Local

  1. motivação de Caiado é estritamente a viabilidade presidencial. No Amazonas, as alianças para o Governo do Estado e Senado são costuradas com base em emendas, tempo de TV e acordos municipais, independentemente de quem será o candidato a presidente apoiado por cada sigla.
  2. Pragmatismo de Wilson e Omar: Historicamente, Wilson Lima e Omar Aziz demonstraram capacidade de manter canais de diálogo republicano, independentemente das movimentações de seus diretórios nacionais. Uma eventual aliança ou disputa entre eles dependerá muito mais da acomodação dos grupos locais do que da filiação do governador de Goiás.
  3. A autonomia dos diretórios: O PSD de Omar Aziz no Amazonas possui autonomia para definir seus palanques. Não é garantido que, mesmo com Caiado no partido, o palanque de Omar no estado seja automaticamente o do goiano, especialmente se houver composições com o atual governo federal.

Em resumo, a mudança de Caiado é um terremoto em Brasília, mas chega a Manaus apenas como uma marola. Para o eleitor amazonense, a troca de partido serve mais para ilustrar a força de articulação de Kassab e Omar Aziz no cenário nacional do que para redefinir quem estará com quem na disputa pelo Governo do Amazonas e pelas vagas legislativas.