Genoma do pirarucu é decifrado para impulsionar piscicultura

Pesquisa da UFPA decifra genoma do pirarucu e filhote para fomentar piscicultura sustentável e rastreabilidade.

Publicado em: 21/01/2026 às 16:41 | Atualizado em: 21/01/2026 às 16:42

Um estudo inédito conduzido pela Universidade Federal do Pará (UFPA) mapeou o DNA do pirarucu (Arapaima gigas) e do filhote (Brachyplatystoma filamentosum), duas das espécies mais emblemáticas da Amazônia. A pesquisa visa solucionar gargalos históricos na reprodução desses peixes em cativeiro e criar mecanismos de rastreabilidade para combater a exploração ilegal.

Liderada pelo pesquisador Sidney Santos, do Laboratório de Genética Humana e Médica, a equipe utilizou sequenciadores de última geração para analisar amostras de mais de 100 espécimes.

O objetivo é reduzir a pressão sobre os estoques naturais por meio do domínio tecnológico da produção em piscicultura.

Ciência aplicada à reprodução e nutrição

A decifração do genoma permitiu avanços em três áreas críticas:

Indução Hormonal: superação de dificuldades na reprodução em ambientes artificiais.

Nutrição: desenvolvimento de dietas específicas para o crescimento em cativeiro.

Rastreabilidade: criação de uma “identidade genética” que permite identificar se um peixe vendido no exterior é oriundo de criadouro legalizado ou se foi retirado ilegalmente da natureza.

“Com a informação completa sobre o genoma, podemos inclusive reproduzir esses animais de forma sustentável, diminuindo a demanda da natureza”, explica Santos.

Políticas públicas e conservação

A secretária nacional de Biodiversidade, Rita Mesquita (Ministério do Meio Ambiente), destaca que esses dados funcionam como uma “biblioteca genética” essencial para políticas de conservação até 2030.

As informações auxiliam na elaboração de listas de espécies ameaçadas e em planos de restauração de fauna (refaunação) e flora.

O “custo Amazônia” e desafios tecnológicos

Apesar da redução global nos custos de sequenciamento — que baixaram de bilhões de dólares para cerca de US$ 1,5 mil a US$ 2 mil por genoma —, a pesquisa na região enfrenta obstáculos.

O pesquisador Igor Hamoy ressalta que o equipamento da UFPA é o único sequenciador público da Amazônia, enfrentando dificuldades logísticas e dependência de financiamento para insumos caros.

O estudo agora integra bancos de dados públicos, permitindo que cientistas de todo o mundo colaborem para garantir que o manejo dessas espécies seja pautado pela sustentabilidade e baixo impacto ambiental.