Ianomâmis: governo faz balanço e aponta apreensão de 249 quilos de ouro

Foram 9 mil operações na terra indígena contra garimpeiros e outros invasores. Foram destruídas 77 pistas de pouso e 45 aeronaves.

Ianomâmis: governo faz balanço e aponta apreensão de 249 quilos de ouro

Da Redação do BNC Amazonas*

Publicado em: 21/01/2026 às 14:27 | Atualizado em: 21/01/2026 às 14:27

O Governo Federal divulgou um balanço das ações de combate ao garimpo ilegal na terra indígena ianomâmis e informou a apreensão e/ou inutilização de 249 quilos de ouro ao longo das operações realizadas nos últimos três anos.

Assim, as medidas fazem parte da resposta à crise humanitária reconhecida em janeiro de 2023, quando o presidente Lula da Silva decretou emergência em saúde pública após visita a Roraima.

Na ocasião, foi criado o Comitê de Enfrentamento à crise ianomâmi, sob coordenação da Casa Civil, com o objetivo de articular políticas interministeriais voltadas à proteção de cerca de 30,4 mil indígenas que viviam sob risco em razão da invasão de garimpeiros e da degradação ambiental.

Segundo lideranças indígenas, a retirada dos invasores trouxe impactos diretos na recuperação do território.

“Depois de um período muito difícil, marcado por mortes e destruição da floresta, vimos uma mudança real: a retirada dos invasores trouxe alívio, proteção e esperança para o nosso povo”, afirmou Júlio Ye’kwana, presidente da Associação Wanasseduume Ye’kwana.

Em 2024, as ações de segurança foram reorganizadas com a criação da Casa de Governo, instalada em Boa Vista (RR) e vinculada à Casa Civil.

A estrutura passou a centralizar as operações de mais de 20 órgãos federais, integrando áreas como segurança pública, fiscalização ambiental, saúde, assistência social e inteligência.

De acordo com dados oficiais, entre março de 2024 e janeiro de 2026 foram realizadas mais de 9 mil operações de segurança na terra indígena ianomâmi, resultando em prejuízos estimados em R$ 644 milhões para organizações criminosas ligadas ao garimpo.

“O enfrentamento não se limita aos pontos de extração, mas avança sobre toda a cadeia logística, com fiscalização das rotas fluviais e aéreas e atuação integrada de inteligência”, afirmou o diretor da Casa de Governo, Nilton Tubino.

O balanço aponta ainda a destruição ou apreensão de uma ampla estrutura utilizada pelos garimpeiros: 242 quilos de mercúrio, 236 mil litros de óleo diesel, 77 pistas de pouso clandestinas, 45 aeronaves, 308 embarcações e 1.969 motores. Para Tubino, a perda dessa infraestrutura inviabiliza progressivamente a atividade ilegal na região.

Em 2025, o então presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, visitou a área e elogiou a condução das operações. “Em nenhum lugar esse projeto de desintrusão foi feito de forma tão competente e eficiente como aqui”, declarou à época.

Com o cumprimento das metas previstas na ADPF 709, o STF decidiu extinguir a ação, mantendo apenas a Petição 9.585 para acompanhamento das medidas de sustentabilidade. Segundo o governo, o foco agora é garantir a presença permanente do Estado e impedir o retorno das redes criminosas.

Um dos principais alvos das operações tem sido o mercúrio, substância altamente tóxica usada na extração do ouro.

“O rastro de destruição que o mercúrio deixa, contaminando rios, peixes e os próprios indígenas, é difícil de reverter. Impedir que esse material chegue à floresta é fundamental para evitar danos ambientais e à saúde”, ressaltou Tubino.

Sendo assim, o governo afirma que as ações seguirão de forma contínua, com o objetivo de assegurar o usufruto exclusivo das terras e recursos naturais aos povos indígenas e consolidar a proteção da Terra Indígena ianomâmi.

*Com informações da Secretaria de Comunicação Social.

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Foto: Bruno Mancinelle / Casa de Governo