Concorrência médicos X advogados por vaga de Uber vai aumentar

Previsão é de empresário do setor de educação ao analisar o fracasso dos cursos de medicina de Manaus no Enamed

Neuton Corrêa, da Redação do BNC Amazonas

Publicado em: 21/01/2026 às 08:40 | Atualizado em: 21/01/2026 às 08:41

O empresário Waldery Areosa, fundador do maior centro universitário do Amazonas, o Uninorte, hoje dono do Ciesa e do colégio Século, publicou ontem seu Instagram comentário sobre o fracasso dos cursos particulares de medicina do Amazonas no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025. Esse exame de qualidade é do Ministério da Educação (MEC).

O resultado saiu na segunda-feira, 19, e mostra os cursos de Medicina Afya, Nilton Lins e Fametro, da pré-candidata a governadora Maria do Carmo Seffair, com nota 1, a mínima.

“Eu achei até que a nota 1 foi até alta. Porque foi de 1 a 5. Se fosse de 0 a 5, a nota seria 0”, cutucou.

Para Waldery Areosa, faculdade de medicina sem hospital, não funciona. Por isso, comentou, embora tenha tido um grande centro universitário, ele sempre resistiu à ideia do curso de medicina.

“Eu nunca quis medicina, porque medicina sem hospital não funciona. Tentar ensinar medicina na sala de aula e jogar esses alunos de noite nos hospitais por aí, jovens, passando a noite em um hospital, além de ser perigoso, aconteceu o que aconteceu, porque eles não têm hospital para dar as aulas práticas”, discutiu.

O empresário apontou que os cursos de medicina da cidade praticam preços exorbitantes, sem oferecer qualidade. E comparou custo e qualidade com as faculdades particulares de medicina da Bolívia.

“É um preço exorbitante. Quase 10 mil reais uma faculdade de medicina aqui em Manaus. Se você for aqui na Bolívia, rapidinho, uma faculdade de medicina custa mil reais. Qualidade ruim por qualidade ruim, o cara está metendo 10 mil reais por mês”.

Ele ainda diz que esse valor exorbitante virou uma forma de capitalização das faculdades, sem bancar a qualidade de cursos mais baratos.

“Eles usavam a mensalidade cara de medicina, 10 mil reais. Tinham aí mil alunos, 10 milhões por mês. Isso sustentava a faculdade, mas não sustentava os outros cursos que eram 30 reais, 60 reais. Imagina: se o cara pagando 10 mil, ele tem esse resultado, imagina os cursos de direito, de administração, de contabilidade. O cara sai sem saber nada. Falta de qualidade”.

Concorrência no transporte de aplicativo

Em sua análise, um detalhe chama ainda mais atenção. O empresário Waldery Areosa prevê que o fracasso dos cursos de medicina de Manaus poderá se somar ao fracassos dos cursos de direito. Em síntese, ele prevê um massa egressa de medicina e direito desempregada disputando o mercado de transporte de aplicativo na cidade.

“O que vai acontecer vai ser os advogados vão ficar muito chateados. Porque vai aumentar a concorrência nos uber. Hoje nós temos caras que não passaram na OAB, que estão dirigindo táxi. Agora você vai ter cara que fez medicina e não vai passar no exame que vai ter a ordem para medicina e vão dirigir uber também”.

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Foto: divulgação