Brasil terá isenção em 5 mil produtos logo após acordo com União Europeia
Acordo Mercosul-UE isentará 8.887 produtos brasileiros em 10 anos, impulsionando agronegócio e reduzindo custos industriais.
Publicado em: 19/01/2026 às 17:07 | Atualizado em: 19/01/2026 às 17:07
O acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, oficializado após 26 anos de negociações, terá um impacto imediato e profundo no comércio exterior brasileiro. Segundo levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o pacto prevê a eliminação de tarifas para 8.887 produtos brasileiros ao longo de uma década, sendo que mais de 5 mil itens já serão isentos no primeiro dia de vigência.
Confira os principais pontos e o cronograma de implementação do acordo:
Redução de Tarifas e Acesso ao Mercado
A abertura comercial será recíproca, mas com prazos distintos para adaptação de cada bloco:
União Europeia: eliminará tarifas sobre 92% das exportações do Mercosul em até dez anos. Desde o início, 82,7% das exportações brasileiras entrarão no bloco com taxa zero.
Mercosul: retirará tarifas de 91% dos produtos europeus em um prazo maior, de até 15 anos, abrangendo cerca de 4,4 mil itens.
Alcance Global: atualmente, os acordos de livre-comércio do Brasil cobrem 8% das importações mundiais; com a UE, esse percentual saltará para 36%.
Setores Beneficiados
O acordo facilita a circulação de produtos estratégicos para ambos os lados:
Brasil: ganho de competitividade para carne bovina, aves, açúcar, etanol, café, suco de laranja e celulose.
União Europeia: redução de custos para vinhos (hoje com 27% de taxa), destilados (35%), chocolates, azeites e queijos.
Insumos: a UE zerará taxas sobre ureia e amônia, reduzindo o custo de fertilizantes para o produtor brasileiro.
Cronograma de Isenção para o Brasil
A CNI detalha que a universalização da tarifa zero ocorrerá de forma escalonada:
Imediato (vigência): 5.090 produtos (54,3% do total).
4 anos: +1.703 itens.
7 anos: +656 itens.
8 anos: +849 itens.
10 anos: +589 itens (totalizando 8.887).
Desburocratização e Contexto Geopolítico
Além das tarifas, o acordo foca em barreiras não tarifárias, simplificando processos aduaneiros, controles sanitários e reconhecendo indicações geográficas.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, destaca que o pacto reposiciona o Brasil globalmente e incentiva a competitividade nacional.
O fechamento do negócio foi impulsionado pela mudança na política comercial dos Estados Unidos sob o governo Donald Trump, que gerou maior interesse dos blocos em diversificar parceiros.
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Foto: Diego Baravelli/MInfra
