ZFM: polo de duas rodas projeta produzir mais de 2 milhões de motos
Faturamento do setor, em 2025, foi de R$ 45 bilhões, um salto de 23% em relação ao ano anterior
Antônio Paulo, do BNC Amazonas em Brasília
Publicado em: 15/01/2026 às 14:19 | Atualizado em: 15/01/2026 às 14:20
O setor de duas rodas projeta um 2026 histórico para a Zona Franca de Manaus (ZFM).
Isso porque as fábricas instaladas no polo industrial deverão produzir 2.070.000 milhões motocicletas, este ano, volume 4,5% superior às 1.980.538 unidades fabricadas em 2025.
No varejo, a expectativa é de que sejam licenciadas 2.300.000 de motocicletas, o que representa um avanço de 4,6% em relação às 2.197.851 unidades emplacadas no ano passado.
A diretoria da entidade revelou que o faturamento do setor deve atingir a marca de R$ 45 bilhões, um salto de 23% em relação ao ano anterior.
Assim, com a produção de motocicletas voltando ao patamar de 2 milhões de unidades, a indústria local consolida-se como o maior polo produtor fora do eixo asiático.
As exportações também devem apresentar resultado positivo. A Abraciclo estima que 45.000 motocicletas sejam destinadas ao mercado externo em 2026, crescimento de 4,4% na comparação com as 43.117 unidades exportadas em 2025.
“As projeções indicam o crescimento consolidado do segmento no Brasil e reforçam o papel estratégico do polo industrial de Manaus, o maior polo de produção de duas rodas fora do eixo asiático”, afirma Marcos Bento, presidente da Abraciclo.
Os dados foram apresentados nesta quinta-feira (15 de janeiro), em coletiva de imprensa, realizada pela Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), da qual o BNC participou.
Desempenho em 2025
De acordo com a Abraciclo, no ano passado, 1.980.538 motocicletas saíram das linhas de montagem das fabricantes instaladas em Manaus, volume 13,3% superior ao registrado em 2024.
Segundo levantamento da associação, esse foi o melhor desempenho do setor desde 2011 e o terceiro maior da história da indústria motociclística nacional.
“O desempenho do setor reflete a demanda aquecida por veículos de duas rodas, impulsionada principalmente pela mobilidade urbana e pelo uso profissional”, explica Marcos Bento.
A indústria, segundo ele, segue investindo em tecnologia, na melhoria contínua dos processos produtivos e no desenvolvimento de novos modelos, acompanhando a evolução das necessidades do consumidor”, complementa.

Bicicletas elétricas em ascensão
O segmento de bicicletas também apresentou sinais de reaquecimento na ZFM. Em 2025, foram produzidas 335.000 unidades, superando as projeções iniciais.
O grande destaque, contudo, é a migração do consumidor para os modelos elétricos, que registraram um crescimento anual expressivo de 144%. Saiu, em 2024, de 19,2 mil unidades para 46,9 mil no ano passado.
O vice-presidente do segmento de bicicletas, Fernando Rocha, enfatizou que a produção na ZFM é uma indústria real e não apenas montagem, reforçando a seriedade do polo Industrial. Para 2026, a projeção é de 350 mil bicicletas produzidas em Manaus.
Produção e empregos
Atualmente, o setor de duas rodas gera mais de 20.600 empregos diretos apenas no estado, contribuindo para um total de 50 mil postos de trabalho em todo o território nacional.
De acordo com a direção da Abraciclo, o polo de Manaus destaca-se por ser o mais verticalizado do mundo, o que exige mão de obra altamente qualificada.
“O setor de duas rodas no polo industrial de Manaus não é o maior em número absoluto de empregos, mas é o que detém a maior massa salarial, devido. E esse nível de especialização é visto como um trunfo para manter a competitividade, mesmo diante de pressões inflacionárias e mudanças na política industrial”, destacou Marcos Bento.
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Gargalos logísticos e a BR-319
Apesar do otimismo, a logística permanece como o “calcanhar de Aquiles” para as indústrias instaladas no Amazonas.
A Abraciclo monitora de perto os conflitos internacionais, como os impasses no Canal do Panamá e tensões no Oriente Médio, que afetam o fluxo de insumos e encarecem o frete global.
No âmbito regional, a entidade reforçou o clamor pela recuperação da BR-319.
“A ausência de uma via terrestre confiável que conecte Manaus ao restante do país obriga as empresas a dependerem exclusivamente do modal hidroviário, que sofre com as secas severas, ou do aéreo, de custo elevadíssimo. Dessa forma, tudo o que está fora do previsto em logística custa muito caro. Precisamos de uma logística mais agradável e menos onerosa”, pontuou o presidente da associação dos fabricantes de duas rodas, concluiu o presidente da Abraciclo, Marcos Bento.
Foto: divulgação
